Após críticas à escolha de Caiado, Leite faz ligação e se coloca à disposição para ajudar na pré-campanha

 

Fonte:


Após o ruído público gerado pela escolha do PSD pelo nome de Ronaldo Caiado para a disputa presidencial, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, conversou com o aliado por telefone na noite desta terça-feira.

Segundo relatos de interlocutores dos dois, Leite afirmou a Caiado que o incômodo nunca foi pessoal. Disse que tem apreço pelo governador de Goiás e respeito por sua trajetória, e que a divergência se deu em relação à condução do processo dentro do partido. Na conversa, também se colocou à disposição para contribuir com a construção da pré-campanha.

O governador gaúcho tem compromissos no estado até o final de semana, mas há uma expectativa de que os dois se encontrem pessoalmente na próxima semana.

O movimento ocorre após uma sequência de sinais públicos de desconforto. Na segunda-feira, dia em que Caiado foi escolhido, Leite divulgou um vídeo nas redes sociais criticando a decisão do PSD e afirmando que a escolha por Caiado poderia reforçar a polarização no país.

Nos bastidores, o incômodo já vinha desde o domingo, quando Leite foi informado da decisão e se queixou ao presidente do partido, Gilberto Kassab, sobre a forma como o processo foi conduzido. Na avaliação do governador, a definição foi apresentada como praticamente consolidada, sem espaço para construção conjunta ou debate interno mais amplo.

Ontem, porém, o governador gaúcho mudou o tom. Em publicação nas redes sociais, afirmou ter ligado para Caiado para cumprimentá-lo e destacou pontos de convergência entre os dois.

“Temos diferenças de visão e estilo, que trato com franqueza. Mas temos também muitas convergências. Além disso, tenho muito respeito por sua trajetória na vida pública. A democracia exige diálogo e capacidade de reunir pessoas diferentes em torno de consensos mínimos”, escreveu.

A ligação é interpretada por aliados como um gesto de distensão, diante do risco de divisão interna. Leite chegou a ser procurado pelo PSDB e Cidadania, mas nega a hipótese de deixar o partido.

Por parte de Caiado, havia um receio de que ele não se engajasse na pré-campanha.

Interlocutores afirmam que a tendência, neste momento, é que o governador permaneça na legenda e cumpra o mandato no Rio Grande do Sul até o fim, o que, na prática, o mantém fora da disputa eleitoral em 2026, mas visa preservar seu espaço político.

O governador trabalha para viabilizar a candidatura de seu vice, Gabriel Souza (MDB), como sucessor, mas enfrenta dificuldades crescentes. A base política que sustentou seus mandatos passa por um processo de fragmentação.

O principal fator de pressão vem da reorganização do campo da direita no estado. O Republicanos formalizou apoio ao deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), enquanto o Progressistas deixou a base do governo gaúcho e passou a negociar uma aliança com o PL.

Nos bastidores, a avaliação é que Zucco caminha para consolidar uma chapa ampla à direita, o que tende a isolar a candidatura governista.