Após convocação do Brasil, países latino-americanos e caribenhos discutem ação dos EUA na Venezuela
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) realiza neste domingo uma reunião ministerial virtual para discutir a operação dos Estados Unidos à Venezuela. O encontro foi convocado pelo Brasil e ocorre um dia após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ser preso e levado para os Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa do encontro, marcado para 14h (horário de Brasília), e deve reforçar a posição do governo brasileiro, que condenou o ataque americano ao país vizinho na madrugada de sábado. Na véspera, Vieira conversou com o chanceler venezuelano, Yvan Gil. Segundo Gil escreveu em redes sociais, Vieira se solidarizou com a Venezuela.
A expectativa é que os países da Celac produzam uma declaração de repúdio à ação militar dos EUA, ferindo a soberania do país vizinho. Há dúvidas se haverá apoio explícito a Maduro.
Em uma avaliação interna, interlocutores do governo brasileiro afirmam que a ação americana em território venezuelano elevou o nível de tensão política e diplomática na América Latina e no Caribe.
O encontro ocorre depois de o presidente Donald Trump anunciar a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Segundo autoridades americanas, o casal será julgado sob acusações relacionadas a narcotráfico e outros crimes.
Neste sábado, Lula repudiou publicamente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que os bombardeios e a captura do chefe de Estado venezuelano representam uma “afronta gravíssima” e ultrapassam uma “linha inaceitável”.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu.
Segundo o presidente, “atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.
Para Lula, a ação comandada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”.
“A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, concluiu.
