Após contradição sobre negociações, Irã afirma que lutará 'até a vitória completa'

 

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Um dia após declarações contraditórias dos Estados Unidos e do Irã sobre as negociações, o governo iraniano afirmou nesta terça-feira (24) que as suas forças armadas lutarão 'até a vitória completa'. A afirmação é do major-general Ali Abdollahi Aliabadi, do Quartel-General Central de Khatam-al Anbiya, porta-voz do alto comando militar.

O Irã negou que quaisquer negociações estejam ocorrendo, mesmo com as notícias de que seu ministro das Relações Exteriores esteja conversando com outros chanceleres em toda a região. Os EUA afirmam que as negociações são indiretas e ocorrem por mediadores.

A televisão estatal iraniana citou Aliabadi dizendo:

'As poderosas forças armadas do Irã são orgulhosas, vitoriosas e firmes na defesa da integridade do Irã, e esse caminho continuará até a vitória completa'.

O general não especificou o que seria uma 'vitória completa', mas pareceu provável que os militares iranianos estivessem tentando alertar contra concessões em possíveis negociações com os Estados Unidos.

Durante as conversas entre Estados Unidos e o Irã, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, informou secretamente ao enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, que o Líder Supremo Mojtaba Khamenei aprovou as negociações entre os dois países.

Ele também teria dado um aval para a busca de um acordo que terminasse o conflito, informou a emissora árabe Al Arabiya.

Khamenei teria concordado em negociar com Washington e chegar a um acordo. O novo Líder Supremo, nomeado após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, teria concordado com um fim rápido da guerra, baseado nos termos do Irã.

Nessa segunda-feira (23), o presidente dos EUA, Donald Trump, decretou um cessar-fogo de cinco dias nos bombardeios a instalações de energia iranianas e afirmou que negociações 'produtivas' estão em andamento para pôr fim ao conflito.

O próprio Trump declarou que as negociações estão sendo conduzidas com 'um alto funcionário' que não é o Líder Supremo, sem informar quem seria. O Irã nega oficialmente que quaisquer negociações estejam em andamento.

Irã acusa EUA e Israel de atacarem instalações de energia após Trump anunciar adiamento

Ataques contra instalações energéticas do Irã em Isfahan.

Reprodução

O Irã acusou os Estados Unidos e Israel de ataques conjuntos a instalações relacionadas ao setor energético na província iraniana de Isfahan e na cidade de Khorramshahr, no sudoeste do país, 'algumas horas' após o presidente Donald Trump anunciar o adiamento de ataques por cinco dias.

Essa informação foi divulgada pela mídia iraniana, citada pela agência Anadolu.

Em Isfahan, um prédio da administração de gás natural e uma estação de redução de pressão de gás foram atingidos, segundo a agência de notícias Fars. Em Khorramshahr, um gasoduto pertencente a uma usina elétrica foi alvo dos ataques.

Não houve relatos de feridos nos dois casos.

O Irã recebeu uma mensagem do governo dos Estados Unidos por meio de mediadores como um possível prenúncio de negociações entre os dois países em guerra. A informação foi divulgada por um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores iraniano à CBS News, depois que o presidente Trump sugeriu que um acordo é possível.

O funcionário iraniano disse que 'recebemos pontos dos EUA por meio de mediadores e eles estão sendo analisados'.

Trump anunciou nas redes sociais nessa segunda-feira (23) que os EUA e o Irã tiveram 'conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades' nos últimos dias.

Mais tarde, ele disse a repórteres que os dois lados tinham cerca de 15 pontos de acordo e que autoridades iranianas expressaram que 'querem a paz', prevendo: 'Acho que há uma chance muito boa de chegarmos a um acordo'.

O presidente também recuou do ultimato emitido no fim de semana, que exigia que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz ou enfrentasse ataques às suas usinas de energia.

Ele afirmou que as forças armadas americanas suspenderiam os bombardeios à infraestrutura energética iraniana por cinco dias, 'dependendo do sucesso das reuniões e discussões em andamento'.

Prédio destruído em Teerã, capital do Irã, após ataque de Israel.

AFP