Após ceticismo do mercado, secretário do Tesouro dos EUA diz que recompra de títulos pode superar US$ 4 bi - QTU Questões do Universo

Após ceticismo do mercado, secretário do Tesouro dos EUA diz que recompra de títulos pode superar US$ 4 bi

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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse nesta quinta-feira que o programa de recompra de títulos anunciado nesta semana poderá superar US$ 4 bilhões por emissão.
A declaração ocorre após os rendimentos dos Treasuries de vencimentos mais longos voltarem a subir, depois de o anúncio de quarta-feira ter provocado uma reação positiva temporária nos mercados.
Entre os agentes econômicos, permanece o ceticismo em relação à capacidade das medidas de conter os custos de financiamento diante do avanço do déficit fiscal e do endividamento do país.
“Temos um grande conjunto de ferramentas, então veremos”, disse Bessent nesta quinta-feira, à CNBC.
“E parte disso é uma sinalização, para mostrar que acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos subjacentes.”
Títulos de longo prazo continuam subindo
Bessent falou com a imprensa depois que o Departamento do Tesouro informou, na quarta-feira, que aumentaria “pelo menos para o dobro” - de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões - o tamanho das recompras de títulos de prazo mais longo.
O impacto no mercado, porém, foi passageiro.
Os títulos americanos de 30 anos apagaram, até esta quinta-feira, os ganhos registrados após o anúncio surpreendente.
Os rendimentos dos papéis de 10 e 30 anos continuaram mais altos depois dos comentários de Bessent.
'Intervenção compra tempo, não solução', diz UBS
Na visão do banco suíço UBS, a intervenção do Tesouro compra tempo, mas não oferece uma solução.
Em relatório publicado nesta quinta-feira, economistas dizem que a medida pode reduzir a volatilidade e aliviar a pressão sobre os rendimentos, mas seus efeitos de longo prazo não devem ser superestimados.
Os analistas também consideram que o anúncio ofuscou a ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), mas que a inflação segue sendo uma preocupação, e a medida do Tesouro no mercado de títulos não altera essa dinâmica.
"As ações do Tesouro podem ter ajudado a conter a disparada dos rendimentos, mas os investidores não devem superestimar as implicações de longo prazo", dizem economistas que assinam o relatório.
O UBS também cita experiências anteriores do Japão e do Reino Unido para argumentar que intervenções no mercado de dívida têm efeito limitado.
Segundo o banco, não reduzem de forma permanente os custos de financiamento quando persistem problemas fiscais, inflação elevada ou excesso de oferta de títulos.
"As recompras do Tesouro podem desencorajar operações agressivas de inclinação da curva e reduzir o estresse do mercado no curto prazo, mas não abordam as forças que sustentam prêmios de prazo mais elevados", escreveram.
Dívida americana já supera US$ 40 trilhões
Os amplos déficits fiscais continuam entre as principais preocupações dos investidores, ao lado dos temores com a inflação em meio à guerra no Irã e à pressão sobre a oferta de títulos provocada pelo aumento dos empréstimos no setor de inteligência artificial.
A alta dos rendimentos dos Treasuries elevou o custo do serviço da dívida pública, que atingiu o recorde de US$ 40 trilhões nesta semana.
O governo Trump planeja anunciar “nesta semana ou no início da próxima” um “maior foco na consolidação fiscal”, disse Bessent, acrescentando que o governo está analisando tanto as receitas quanto os gastos.