Após cercar terreno ao lado do Buraco do Lume,construtora deve iniciar vendas de residencial em junho em projeto reduzido

 

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Um prédio de 20 andares, com 624 apartamentos sem garagem e quatro lojas, será construído no terreno conhecido como Buraco do Lume, no Castelo. A construtora Patrimar, responsável pelo projeto, que faz parte do programa Reviver Centro, deve iniciar as vendas das unidades, ainda na planta, até junho. Os residenciais deverão ter o formato de estúdios e até dois quartos. A área, vizinha à Praça Mário Lago, foi cercada na semana passada, irritando representantes da esquerda carioca, já que o espaço era uma área tradicional de reuniões políticas, como revelou o colunista Ancelmo Gois, do GLOBO.

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— Aquele espaço sempre foi privado e não pertence à Praça Mário Lago. Mas os antigos proprietários nunca fizeram essa demarcação. Os tapumes foram colocados para esclarecer isso — explicou o CEO do Grupo Patrimar, Alex Veiga.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL) disse que, com base numa representação dele, o Ministério Público já abriu um inquérito para analisar se houve alguma irregularidade na concessão de licença da obra pela Prefeitura.

Questão de ambiência

A construtora ainda não definiu os valores de venda nem divulgou o prazo para entrega das unidades, mas geralmente, nesse tipo de empreendimento, o prazo é de 30 meses. O que se sabe é que o projeto aprovado na Secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento é diferente da proposta original, que previa um prédio de 24 andares com 720 apartamentos.

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— O Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) solicitou alterações para que, por uma questão de ambiência, o prédio fosse limitado ao gabarito do edifício-garagem, Menezes Cortes, que é vizinho ao empreendimento que será construído — disse o secretário de Desenvolvimento Urbano, Gustavo Guerrante.

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O destino do terreno, que fica numa área remanescente do desmonte do Morro do Castelo no início do século XX, é alvo de discussões há cerca de 50 anos. Em 1972, um projeto imobiliário previa a construção de um prédio de 50 andares, mas a construtora quebrou. Apenas parte das fundações e da garagem chegou a ser executada. A construção era tocada pelo Grupo Lume, batizado com as iniciais do empresário Lynaldo Uchoa de Medeiros.

Com a falência, o imóvel passou a fazer parte dos ativos do antigo Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), cuja sede ficava perto dali, no Edifício Lúcio Costa, onde hoje funciona a Assembleia Legislativa (Alerj).

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Ao longo dos anos, o terreno chegou a ser tombado pelo ex-prefeito Saturnino Braga, mas, em 2020, o ex-prefeito Marcelo Crivella aprovou uma lei destombando o espaço.

Em outro movimento, a Alerj aprovou uma lei decretando o tombamento da área em março de 2020, para enfrentar a iniciativa de Crivella. Em dezembro de 2022, outra reviravolta: na última sessão legislativa do ano, os deputados aprovaram um projeto do deputado Rodrigo Amorim (União) que destombou o imóvel.

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