Após bloqueio da Igreja do Santo Sepulcro por Polícia de Israel, representantes do Vaticano se reúnem com embaixador
O Vaticano anunciou nesta segunda-feira (30) que expressou seu pesar ao embaixador de Israel junto à Santa Sé, Yaron Sideman, após a polícia israelense impedir a realização da missa de Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. A data é importante no calendário católico e marca o início da Semana Santa. Israel disse que seria por segurança, versão confrontada pelo Patriarcado Latino de Jerusalém e pela Custódia da Terra Santa, que celebrariam o rito, uma vez que cumpriam o protocolo imposto pelas forças de controle.
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O Secretário de Estado da Santa Sé, Cardeal Pietro Parolin, e o Secretário de Estado do Vaticano, Arcebispo Paul R. Gallagher, reuniram-se com Sideman, informou o Vaticano em um comunicado nesta noite.
"Durante a reunião, foi expressa a lamentação pelo incidente e foram prestados esclarecimentos", acrescentou o comunicado.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, as autoridades israelenses proibiram grandes aglomerações, incluindo as realizadas em sinagogas, igrejas e mesquitas. Eventos públicos estão limitados a cerca de 50 pessoas.
A cidade de Jerusalém é sagrada para as três principais religiões abraâmicas — cristianismo, islamismo e judaísmo — e teve a sua parte oriental de maioria árabe, onde fica a Cidade Velha, que abriga a Igreja do Santo Sepulcro, ocupada e anexada ilegalmente por Israel na Guerra dos Sesi Dias em 1967. Estado judeu ocupa irregularmente a cidade, afirmando que é sua capital. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado independente.
O Patriarcado Latino, diocese católica com fiéis em Israel, nos territórios palestinos, na Jordânia e no Chipre, informou que a polícia impediu o patriarca Cardeal Pierbattista Pizzaballa e o custódio Padre Francesco Ielpo de entrarem na Igreja do Santo Sepulcro quando se dirigiam para a celebração da Missa do Domingo de Ramos. Segundo a diocese, os sacerdotes viajavam sozinhos, sem procissão, quando foram bloqueados e obrigados a retornar.
"Este incidente cria um precedente perigoso e demonstra falta de consideração pela sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam seus olhares para Jerusalém", enfatizou o Patriarcado Latino.
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Washington, Paris, Madri e a União Europeia protestaram contra a decisão da polícia israelense, e o próprio Papa Leão XIV pareceu fazer alusão ao incidente.
"Estamos mais próximos do que nunca, pela oração, dos cristãos do Oriente Médio, que sofrem as consequências de um conflito terrível e que, em muitos casos, não podem vivenciar plenamente os ritos destes dias santos", declarou o Papa no domingo, em Roma, após a oração do Angelus.
Para justificar a proibição, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse se tratar de questões de segurança no contexto da guerra no Oriente Médio. A região tem visto a escalada de confrontos desde 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos atacaram o Irã, que tem reagido desde então; em resposta; o país persa tem atacado bases militares e estruturas nos países vizinhos ligadas às duas nações.
A Polícia de Israel justificou sua decisão citando a configuração da Cidade Velha e dos locais sagrados, "uma área complexa" que não permite o acesso rápido dos serviços de emergência em caso de ataque, o que "representa um risco real à vida humana".
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Desde a escalada de violência na região nos últimos anos, templos religiosos têm sido alvos de bombardeios e de ofensivas militares. Em julho do ano passado, a Igreja da Sagrada Família, na cidade de Gaza, na Palestina, foi atingida, resultando graves danos à estrutura, além de deixar mortos e feridos. Único santuário católico de Gaza, a igreja servia de abrigo para famílias cristãs e muçulmanas deeslocadas pelo genocídio. Os bombardeios ao templo foram realizados por Israel.
Patriarcado de Jerusalém confirma realização da Semana Santa no Santo Sepulcro
Nesta segunda-feira, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa emitiram um comunicado confirmando a realização das liturgias e cerimônias relativas às celebrações da Semana Santa e da Páscoa na Igreja do Santo Sepulcro. O acesso aos representantes das Igrejas foi assegurado junto à Polícia de Israel, informou o Vaticano através do Vatican News.
“Naturalmente, e à luz do atual estado de guerra, as restrições existentes aos encontros públicos permanecem em vigor por enquanto. Assim, as Igrejas garantirão que as liturgias e orações sejam transmitidas ao vivo aos fiéis na Terra Santa e em todo o mundo”, informa o comunicado, que destaca: “fé religiosa constitui um valor humano supremo, compartilhado por todas as religiões: judeus, cristãos, muçulmanos, drusos e outros. Especialmente em tempos de dificuldade e conflito, como os atualmente vividos, salvaguardar a liberdade de culto permanece um dever fundamental e comum”.
“Rezamos e esperamos pelo fim da trágica guerra que afeta a região, conscientes das graves consequências que ela impõe a todos. O Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa reafirmam seu compromisso com o diálogo, o respeito mútuo e a preservação do Status Quo”, conclui a mensagem.
