O Irã reivindicou neste domingo um ataque contra um drone naval dos Estados Unidos na região do Estreito de Ormuz, um dia depois de as Forças Armadas americanas bombardearem três petroleiros iranianos, um deles na costa da ilha de Kharg, próxima ao principal centro de exportação de petróleo do país. Em resposta à escalada, Mohamad Baqer Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã e principal negociador do país, ameaçou retaliar com mais força.
Veja vídeo: Exército dos EUA diz ter atacado três navios-tanque iranianos Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp — Os americanos devem ter compreendido que a era das respostas proporcionais terminou — declarou Ghalibaf em um discurso divulgado pela mídia estatal iraniana. — Qualquer agressão contra os interesses e a segurança do Irã receberá uma resposta mais rápida, mais intensa e mais dolorosa. Ghalibaf acrescentou que as recentes operações do Irã contra "bases agressoras" foram "apenas um começo", alertando que "as regras do jogo mudaram". Ele afirmou ainda que o país superará a pressão econômica americana da mesma forma que já superou os desafios militares e diplomáticos impostos por Washington.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) afirmou, em comunicado, ter "atacado um veículo de superfície militar estadunidense não tripulado (embarcação teleguiada) que tentava entrar na zona protegida do Estreito de Ormuz". O Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio, ainda não se manifestou sobre o episódio. O ataque ao drone naval americano ocorre um dia depois de o Exército dos EUA informar que suas forças atingiram três petroleiros iranianos em resposta a um ataque com mísseis contra navios de guerra da Marinha americana. Na ocasião, o CGRI anunciou ter "atacado três petroleiros que realizavam passagens não autorizadas no Estreito de Ormuz", advertindo demais embarcações a evitar rotas não aprovadas por Teerã. Conflito no Golfo: houthis avançam em direção ao estreito do Mar Vermelho em meio à escalada dos combates no Iêmen As declarações vieram depois de o Centcom informar sobre o ataque a petroleiros iranianos. Segundo o Exército dos EUA, dois dos navios foram "neutralizados de forma permanente" e um terceiro foi "completamente destruído", já que, segundo os americanos, as embarcações faziam parte de uma "rede clandestina" que financia o CGRI em "vários bilhões de dólares".
Teerã confirmou o ataque dos EUA contra "três petroleiros pertencentes à República Islâmica do Irã no Estreito de Ormuz, que provocou danos", classificando a ofensiva como "um ato de desespero diante do fechamento" da hidrovia. O Irã mantém um rígido bloqueio ao estreito, enquanto os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos. Ataques 'poderão ampliar' Caso as hostilidades continuem, os ataques iranianos contra "os navios militares americanos na região serão mais duros do que antes e poderão se ampliar", ameaçou o Khatam al-Anbiya, comando operacional central do Exército do Irã. Na última sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu país lança apenas "bombardeios pontuais" contra o Irã, e que não se trata de uma guerra, mas de "um conflito militar, porque, para nós, é de pouca monta". Para reforçar a pressão econômica, Washington anunciou novas sanções contra o Irã, somadas às que Teerã já enfrenta há décadas.
— Se atacarem dois dos nossos navios, vamos impor um preço ainda maior: atacaremos três dos deles — declarou o comandante do Comando Central dos EUA (Centcom) para o Oriente Médio, Brad Cooper.Mohamad Baqer Ghalibaf Estados Unidos e o Irã retomaram os ataques na semana passada, após um mês de relativa calma, com o Estreito de Ormuz e comunidades iranianas ao longo dele voltando a ser alvo. Pelo menos cinco pessoas morreram no início da semana durante um bombardeio americano ao sul do Irã. Com AFP
O Globo