Após arquivamento do caso Orelha, jovem inocentado quebra o silêncio: 'Seguem me chamando de assassino'; veja vídeo
O jovem Igor Zampieri, de 18 anos, utilizou as redes sociais na quinta-feira para quebrar o silêncio sobre o caso envolvendo a morte do cão Orelha, que mobilizou todo o país. Em vídeo, ele afirma que sofreu ataques desde que foi associado ao caso, arquivado pela Justiça após o Ministério Público concluir que o animal morreu em decorrência de grave doença preexistente e que não foi agredido por adolescentes na orla da Praia Brava, em Florianópolis (SC), como chegou a afirmar a polícia inicialmente.
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Igor reafirma a inocência e lembra que durante a investigação da morte do cachorro foi "condenado por um boato das redes sociais" e chamado de "assassino", com sua fotografia divulgada na internet.
— Se durante cinco meses falaram de mim, chegou a minha vez — diz o jovem no vídeo postado no Instagram. — Muitas pessoas viram meu silêncio como forma de culpa, porém só estava respeitando o processo que foi pedido pelas autoridades, que ficasse em sigilo. Eu fiquei quieto até que tudo fosse concluído.
A apuração do MP revelou que, ao contrário da cronologia estabelecida inicialmente, os adolescentes tidos como suspeitos de agredir o cão não estiveram junto do animal na praia. Os laudos periciais também contribuíram para as autoridades descartarem a hipótese de maus-tratos. Na avaliação do perito veterinário, que analisou o cadáver do animal após a exumação, não havia indicativos de traumatismo recente compatível com maus-tratos. Nenhuma fratura ou lesão compatível com a ação humana foi encontrada.
O veterinário, no entanto, descobriu que o cão Orelha sofria de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea grave e crônica.
'Seguem me chamando de assassino'
Igor Zampieri afirma, no vídeo, afirma que sofreu um julgamento público por um crime que não cometeu:
— O mais difícil para mim de tudo isso é que as pessoas me julgavam de algo que eu não fiz, algo que eu jamais faria. Mesmo depois das autoridades terem analisado tudo, da Justiça ter arquivado o processo e ficado provado que eu não fiz nada, muitas pessoas seguem me chamando de assassino.
O jovem afirma também que "não se importa" com a possibilidade de se criar uma CPI para investigar as circunstâncias da morte do cão Orelha na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc):
— Só vai mostrar mais uma vez para todo mundo a minha inocência.
Veja o vídeo:
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Horário errado
A cronologia havia sido constituída pela análise de imagens do sistema público de videomonitoramento e de câmeras de segurança privadas. As gravações feitas pelo sistema do condomínio onde o adolescente se encontrava, no entanto, estavam adiantadas em 30 minutos. "Essa diferença de horário é nitidamente perceptível pelas condições de luminosidade solar", diz a nota divulgada pelo Ministério Público.
As investigações não encontraram registros da presença do animal na orla da Praia Brava, o que já havia sido identificado em depoimentos de testemunhas obtidos pela polícia. O MP concluiu que, no momento em que o adolescente agressor estava no local, o cão Orelha se encontrava a 600 metros de distância.
"Não se sustenta a tese de que ambos tenham compartilhado o mesmo espaço por aproximadamente 40 minutos, como afirmado nos relatórios policiais", diz a nota. Ainda de acordo com o MP, o cão Orelha ainda apresentava "plena capacidade motora e padrão de deslocamento normal" uma hora após a suposta agressão.
