Após apreensão de geladões, crise financeira no transporte leva ao fim a linha 40 Horas–Marituba

 

Fonte:


Após a apreensão de alguns ônibus “geladões” na Grande Belém, em meio à crise financeira enfrentada pelo transporte coletivo, mais uma perda para a população foi confirmada: o fim da linha de ônibus 40 Horas–Marituba. Operada pela empresa Fênix Transporte, antiga Rosário de Fátima Transporte, a linha teve a operação descontinuada após comunicação formal aos órgãos competentes. A informação foi confirmada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), que atribui a decisão à “grave dificuldade financeira enfrentada pelo sistema de transporte coletivo”.


Segundo a entidade, o cenário é consequência de um “desequilíbrio econômico-financeiro que vem se agravando ao longo dos últimos anos, provocado principalmente pela defasagem da tarifa pública em relação aos custos reais da operação”. O sindicato destaca, ainda, o aumento de despesas essenciais, como combustível, peças, manutenção, insumos e encargos trabalhistas.


O Setransbel também aponta que a “redução contínua do número de passageiros pagantes impacta diretamente a sustentabilidade do sistema”, comprometendo a capacidade operacional das empresas e dificultando a manutenção de determinadas linhas na Região Metropolitana de Belém.


Na nota, o sindicato ressalta que o transporte coletivo é um serviço essencial e afirma que “a manutenção da operação depende do equilíbrio entre receita e custos operacionais”, realidade que, segundo a entidade, vem sendo debatida em diferentes cidades brasileiras.


Sobre alternativas para os usuários afetados pela suspensão da linha, o Setransbel informou que caberá “aos órgãos gestores e autoridades competentes avaliar as medidas operacionais necessárias para minimizar os impactos à população”.


A entidade afirmou ainda que segue acompanhando a situação e reforçou “a importância da construção de soluções estruturantes para garantir a continuidade e a sustentabilidade do transporte coletivo na Região Metropolitana de Belém”.


Apreensão de “geladões” já havia exposto crise no sistema


A crise financeira enfrentada pelo transporte coletivo na Região Metropolitana de Belém foi evidenciada recentemente, quando parte da frota de ônibus com ar-condicionado, conhecidos como “geladões”, foi apreendida após decisão da instituição financeira responsável pelo financiamento dos veículos. A notícia veio à tona no dia 31 de março. Na ocasião, 14 ônibus que pertencem às empresas Auto Viação Monte Cristo (12 veículos) e Transportes Canadá (2) foram apreendidos.


No dia 4 de maio, imagens que circularam nas redes sociais mostraram que pelo menos 12 novos ônibus “Geladão” foram retirados de circulação. Os veículos atendiam linhas em bairros de Belém, como Jurunas, São Brás, Bengui, Tapanã, Canudos, Terra Firme e Pratinha, além de Cidade Nova, em Ananindeua, e Mário Couto, em Marituba. Os ônibus foram encontrados em um terreno e também em vias do bairro Boa Vista, em Marituba, próximos a uma empresa de guincho.


Em nota divulgada no último dia 8 de maio, o Setransbel informou que parte da frota de ônibus “geladões” foi retomada pela instituição financeira responsável pelo financiamento dos veículos, por meio de medida judicial relacionada aos contratos firmados para a renovação da frota.


Segundo a nota do sindicato naquela ocasião, o setor enfrenta um “desequilíbrio econômico-financeiro” agravado ao longo dos últimos anos, provocado principalmente pela diferença entre a tarifa pública paga pelos usuários e a tarifa técnica calculada com base nos custos reais da operação. A entidade também destacou o aumento expressivo de despesas como combustível, manutenção, peças, pneus, folha de pagamento e encargos trabalhistas.


Na ocasião, o Setransbel alertou ainda para o impacto da alta do óleo diesel sobre o sistema de transporte coletivo. Conforme a entidade, dados nacionais apontaram aumento de mais de 24% no preço médio do combustível para empresas de ônibus desde o início da guerra no Oriente Médio, cenário que ampliou a pressão sobre os custos operacionais.


Mesmo diante das dificuldades, o sindicato afirmou que as empresas vinham adotando medidas para reduzir os impactos à população e manter a continuidade do serviço, além de buscar alternativas junto às instituições financeiras para preservar a operação e os investimentos na modernização da frota.