Após ameaça de remoção e mobilização de moradores, banca de jornal de 60 anos tem endereço mantido no Jardim Botânico

 

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Desde que recebeu uma notificação da prefeitura, há dois meses, informando que teria que mudar de ponto, o dono de uma tradicional banca de jornal na esquina da Rua Pacheco Leão com a Rua Von Martius, no Jardim Botânico, vivia em estado de apreensão. Moradores dos arredores também se emocionaram e se indignaram diante da possibilidade, e se mobilizaram num abaixo-assinado que, no começo desta semana, já reunia cerca de 600 assinaturas. Mas foi só um susto. Procurada para informar o motivo da retirada da banca, a prefeitura informou nesta quinta-feira (9) que ela será mantida no lugar onde está há 60 anos.

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O espaço funciona há cerca de 60 anos em frente ao número 320 da via e pertence a Domingos Abilio Lopes, de 65 anos, que herdou o negócio do pai. Com apoio do seu funcionário Davi Anastacio, a banca funcionou sem problemas nas últimas décadas. No entanto, desde o dia 11 de fevereiro deste ano, Seu Domingos — como é conhecido — e Davi passaram a conviver com a incerteza sobre o futuro da banca.

A dupla recebeu uma notificação da 2ª Gerência Regional de Licenciamento e Fiscalização determinando que fossem indicadas, em até dez dias, três possíveis locais para a realocação do equipamento.

Segundo o proprietário, ao buscar esclarecimentos junto à prefeitura, ele foi comunicado de que a medida teria sido motivada por uma denúncia anônima. Mas não era possível informar o que o denunciante alegou contra a banca.

— Fiquei muito preocupado. A banca é parte da minha família. Foi meu pai quem a colocou lá e cresci frequentando-a até herdá-la dele. Minha mãe, por exemplo, está com Alzheimer, mas não se esquece de jeito nenhum da banca — desabafou Domingos ao GLOBO-Zona Sul.

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A possibilidade de retirada da banca mobilizou os frequentadores do estabelecimento, ganhou repercussão nas redes sociais e motivou a criação do abaixo-assinado em defesa da permanência do ponto.

—Comecei a trabalhar no bairro no início dos anos 1990 e me aposentei em 2026. Passo por essa banca todos os dias, então ela virou parte do meu cotidiano, da minha história. Fiquei chateada quando soube da possibilidade de remoção — disse uma frequentadora que preferiu não se identificar.

Procurada, a Prefeitura do Rio afirmou, em nota, por meio da Seop, que a banca foi inicialmente notificada durante um processo de apuração de possíveis irregularidades, mas que, após fiscalização, as denúncias não se confirmaram.

“A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) esclarece que a banca de jornal em questão foi notificada durante um processo que apurava eventuais irregularidades. No entanto, as irregularidades apresentadas por meio de denúncias anônimas acabaram não se confirmando pelos fiscais. Sendo assim, a banca não será retirada do local e o proprietário será oficialmente informado para desconsiderar a notificação”, informou o órgão.

Informado da resposta, Domingos ficou animado:

— Essa é a melhor notícia que eu poderia receber. A banca é parte da família e o local que ela está faz toda diferença. Estou muito contente, de verdade.

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