Após ação de Gilmar, Zema divulga novo vídeo para criticar 'intocáveis' e compara ministros com Coroa Portuguesa
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo-MG), pré-candidato à Presidência da República, voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira. Ontem, o ministro Gilmar Mendes enviou uma notícia-crime ao colega de Corte, Alexandre de Moraes, solicitando que o mineiro seja investigado devido à publicação de um vídeo em que satiriza suas decisões, o que Zema definiu como "absurdo". Desta vez, no dia em que se comemora o feriado de Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira, o ex-governador cobrou "liberdade" e afirmou que "a luta dos inconfidentes não acabou".
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Zema publicou um material, em suas redes sociais, em que compara o poder dos ministros — definidos por ele como "intocáveis — ao da Coroa Portuguesa. Em tom eleitoral, ele afirmou que "os intocáveis mudaram, mas o legado de Tiradentes permanece vivo", e destacou seu intuito em combater "os poderosos".
— Você acha que nós somos livres de verdade? Eu acho que não. No lugar da Coroa Portuguesa, se sentaram os intocáveis de Brasília. Os políticos vendidos, os empresários ladrões e os juízes que se acham acima do bem e do mal — afirmou Zema. — Nas eleições deste ano, nós vamos decidir quem manda no Brasil, os intocáveis ou os brasileiros de bem — completou.
O vídeo publicado pelo ex-governador conta com representações em inteligência artificial de nomes como o próprio Gilmar e Moraes, além do banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Decisão de Gilmar
A informação sobre a ação de Gilmar foi adiantada pela Folha e confirmada pelo GLOBO junto ao gabinete do ministro. No vídeo que motivou a notícia-crime, divulgado em março, os ministros são representados por fantoches, e o ministro Dias Toffoli pede que o boneco de Gilmar suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado. Em troca da anulação, o personagem de Gilmar pede "uma cortesia" no resort Tayayá, que já teve irmãos de Toffoli como donos e está envolvido nas investigações ligadas ao escândalo do Banco Master.
No pedido enviado a Moraes, Gilmar afirma que o conteúdo compartilhado pelo ex-governador de Minas Gerais “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa".
Fantoches dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes em vídeo publicado por Zema
Reprodução/Redes sociais
Zema, por sua vez, criticou Gilmar. Na manhã de ontem, por meio das redes sociais, o ex-governador afirmou que a ação na Justiça indica que "a carapuça serviu", e definiu sua publicação como uma peça de humor.
"Se um teatro de fantoches é visto como ameaça por Gilmar e Moraes é sinal de que a carapuça serviu. Os ministros não gostaram da nossa serie “os intocáveis”. Beleza. Mas me processar por isso? O humor é usado pra criticar o poder desde que o mundo é mundo", escreveu Zema. "Pra mim, absurdo é isso. Seguimos em frente contra essa farra dos intocáveis".
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O mineiro também repercutiu o apoio de seus correligionários, como os deputados federais Deltan Dellagnol (PR) e Marcel Van Hattem (RS), além do senador Eduardo Girão (CE). Já o partido Novo, ainda nas redes sociais, afirmou "num país sério, uma acusação dessas seria uma piada".
Críticas a Zema
Nesta semana, o ministro do STF já havia criticado Zema após a publicação do vídeo. Gilmar disse ser “no mínimo, irônico” que o ex-governador tenha defendido o impeachment e a prisão dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli após ter acionado a Corte, enquanto esteve à frente do estado, para parcelar dívidas de Minas com a União.
O decano apontou que Zema, "que hoje agride" o STF, recorreu à Corte "inúmeras vezes" em busca de decisões que "suspenderam obrigações bilionárias com a União". "Sem o socorro institucional do STF, o então governador teria enfrentado um cenário de grave desorganização fiscal, com riscos concretos à continuidade de serviços públicos essenciais", frisou.
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