Após 34 anos, estudantes universitários ajudam a identificar jovem encontrada morta em motel nos EUA

 

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Uma investigação que permaneceu sem respostas por mais de três décadas foi finalmente esclarecida no estado do Novo México, nos Estados Unidos. Com a ajuda de estudantes universitários e o uso de genealogia genética investigativa, no mês de abril, autoridades conseguiram identificar uma jovem de 18 anos encontrada morta em 1991 dentro de um quarto de motel em Albuquerque.

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A vítima foi identificada como Becca Mallekoote, segundo informações divulgadas pelo portal NJ.com. Ela havia sido encontrada morta em junho daquele ano, dentro da banheira de um quarto do motel Super 8, com a porta trancada por dentro. A autópsia realizada na época concluiu que a causa da morte foi suicídio.

Apesar disso, sua identidade permaneceu desconhecida por décadas.

Segundo Rebecca Atkins, porta-voz do Departamento de Polícia de Albuquerque (APD), a jovem carregava uma mala com roupas e cerca de 500 dólares em dinheiro, mas não possuía qualquer documento de identificação. A informação foi repassada ao jornal Albuquerque Journal.

Durante anos, investigadores recorreram a diferentes bancos de dados, incluindo o Sistema Nacional de Pessoas Desaparecidas e Não Identificadas, além de análises de impressões digitais e buscas em diversos estados americanos e até no Canadá. Nenhuma dessas tentativas, no entanto, levou à identificação da vítima.

Somente em 2021, segundo o USA Today, a polícia conseguiu descobrir que o primeiro nome da jovem poderia ser “Becca”. A partir disso, o caso passou a ser conhecido como “Becca Doe”, nome frequentemente usado nos Estados Unidos para vítimas ainda não identificadas.

Investigação genética destravou o caso

A virada ocorreu em dezembro do ano passado, quando o Gabinete do Médico Legista entrou em contato com o Centro de Genealogia Genética Investigativa do Ramapo College, em Nova Jersey, para iniciar uma nova análise.

A amostra forense de “Becca Doe” foi enviada à empresa Genologue, em Tucker, na Geórgia, onde passou por extração de DNA e sequenciamento completo do genoma. Em seguida, os dados foram encaminhados à Parabon Nanolabs, responsável pela criação de um perfil de Polimorfismo de Nucleotídeo Único (SNP), técnica usada em investigações genealógicas.

Esse perfil foi carregado na plataforma GEDmatch Pro em janeiro. Pouco tempo depois, a equipe do Ramapo College identificou Becca Mallekoote como uma forte candidata e conseguiu localizar seu meio-irmão e seu padrasto, ambos na Califórnia.

De acordo com Atkins, o padrasto informou que viu Becca pela última vez em 1991, quando ela deixou Los Angeles. Posteriormente, um sargento do Departamento de Polícia de Ventura conseguiu que o meio-irmão fornecesse uma amostra de DNA, que confirmou o vínculo biológico e encerrou oficialmente o mistério.

Tecnologia e colaboração entre agências

Cairenn Binder, diretora assistente do Centro de Genealogia Genética Investigativa, afirmou ao Patch que o trabalho representa o esforço contínuo da instituição para solucionar casos antigos e dar respostas às famílias.

“Estamos extremamente orgulhosos de nossos alunos, funcionários e voluntários que realizam pesquisas ininterruptas em locais de todo o mundo para trazer respostas às famílias que aguardam respostas sobre pessoas desaparecidas e vítimas não identificadas de crimes violentos”, declarou.

Ela acrescentou que, desde a criação do centro, em 2022, a faculdade já ajudou a identificar vítimas ou suspeitos em 23 casos arquivados.

A chefe interina da polícia de Albuquerque, Cecily Barker, também destacou a importância da resolução do caso após tantos anos.

“É uma prova do compromisso do nosso departamento em nunca desistir de um caso, não importa quanto tempo tenha passado”, afirmou. “Ao continuarmos a utilizar os avanços da tecnologia e da genealogia forense, conseguimos fornecer respostas que antes eram consideradas impossíveis.”

A médica-legista chefe do Escritório de Investigação Médica (OMI), Heather Jarrell, reforçou que a descoberta da identidade de Becca só foi possível graças à cooperação entre diferentes instituições.

“A identidade de Becca foi descoberta por meio da colaboração entre várias agências e do avanço da tecnologia”, disse. “Com esse tipo de parceria e uma nova fronteira da genealogia forense, estou otimista de que seremos capazes de fornecer mais respostas para mais famílias que perderam um ente querido de forma misteriosa.”