Após 20 anos, Brasil volta a ter três governadoras eleitas

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Fonte da notícia: CBN CBN

A partir de 2027, três mulheres vão chefiar governos estaduais no Brasil. Celina Leão, do PP, venceu a eleição para o governo do Distrito Federal e Mailza Assis, do mesmo partido, foi eleita no Acre.

Raquel Lyra, do PSD, obteve a reeleição em Pernambuco no primeiro turno, com pouco mais de 53% dos votos válidos. Governadores eleitos reagem à vitória de Lula e se dividem entre críticas e apoio

Com esse resultado, o país iguala o resultado das eleições de 2006, ano em que também foram eleitas três governadoras. Em 2006, última vez que o esse cenário ocorreu, foram eleitas Ana Júlia Carepa, do PT, no Pará; Wilma de Faria, do PTdoB, no Rio Grande do Norte; e Yeda Crusius, do PSDB, no Rio Grande do Sul.

Em 2022, apenas Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, e Raquel Lyra, em Pernambuco, foram eleitas governadoras. Em 2018, Fátima Bezerra foi a única governadora eleita em todo o país.

Historicamente, 11 mulheres foram eleitas para governar estados desde a redemocratização. Roseana Sarney foi a primeira, no Maranhão, em 1994.

Completam essa lista a fluminense Rosinha Garotinho, a potiguar Rosalba Ciarlini e a roraimense Suely Campos. No mesmo período, mais de 280 homens ocuparam os cargos de chefia do Executivo estadual, uma proporção cerca de 25 vezes maior.

Doze estados brasileiros e o Distrito Federal já foram governados por mulheres, eleitas ou substitutas. Dez delas foram elevadas ao cargo após terem sido eleitas como vices - caso de Celina Leão e Mailza Assis, que agora são consideradas reeleitas.

Neste domingo (25), ao votar, a governadora do Acre revelou que enfrentou forte resistência de alianças por ser mulher. No entanto, frisou que a barreira veio apenas da classe política, e não de eleitores.

"Não pela população, não pelo voto, não pelos homens, não pela pessoa comum, mas pelas alianças, por lideranças que às vezes questionam, mas a gente sabe, questionam por quê? Porque querem o lugar e acham que uma mulher concorrendo, a facilidade vai ser muito maior de pôr a gente para trás e de avançar no sentido de ocupar esse espaço", disse.

No DF, Celina Leão celebrou a presença de mulheres nos cargos majoritários da unidade da federação. "Nós somos o único estado da federação que tem os quatro cargos majoritários compostos por mulheres.

E esse é um grande desafio nosso. Nós vamos honrar a população trabalhando, servindo, sendo uma capital que será modelo, um estado que será modelo para o Brasil".

Para a cientista política Débora Thomé, a dinâmica política atual favorece a manutenção de quem já ocupa cargos eletivos. Como a maioria dessas posições historicamente pertence a homens, a tendência estatística de reeleição mantém a predominância desse grupo no poder.

Thomé explicou o impacto da representatividade nas esferas públicas: "Representantes de determinados grupos costumam ter maior sensibilidade para levar demandas específicas desses setores para as assembleias e câmaras temáticas.

Isso se aplica a mulheres, negros, indígenas e pessoas com deficiência. Indivíduos que não vivenciam certos problemas dificilmente conseguem formular soluções para eles.

A inclusão de mais mulheres na política pode não resolver todos os problemas estruturais, mas insere na agenda governamental debates antes negligenciados, como a pobreza menstrual." Para mitigar a disparidade de gênero, mecanismos legais existem desde 2009, como a cota mínima de 30% para candidaturas femininas nos partidos políticos.

Posteriormente, em 2018, uma determinação da Justiça Eleitoral fixou um piso mínimo proporcional para o repasse do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e para o tempo de propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na TV para as candidatas. Se no Executivo a participação é limitada, no Parlamento a situação não muda tanto.

Dados da ONU Mulheres apontam que o Brasil ocupa a posição 133 no ranking global de representação feminina no Congresso, o que coloca o país entre os índices mais baixos da América Latina em participação política desse grupo.

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