Após 12 anos, governo de SP entrega Linha 17-Ouro do monotrilho

 

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Após 12 anos de atraso, o governo de São Paulo entrega nesta terça-feira a Linha 17-Ouro do monotrilho, uma obra que chegou a figurar entre as mais paradas do estado, ao lado do Rodoanel.

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O novo ramal liga a região do Morumbi ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital, e passa a operar com conexão com a Linha 5-Lilás, na estação Campo Belo, e com a Linha 9-Esmeralda, na estação Morumbi. A promessa é facilitar o acesso ao aeroporto por meio de um túnel subterrâneo sob a Avenida Washington Luís.

Funcionamento inicial

Mapa da Linha 17-Ouro

Divulgação/Governo de SP

Nesta primeira fase, a operação será assistida, com horários reduzidos e sem cobrança de tarifa, como ocorre tradicionalmente na abertura de novas linhas.

Excepcionalmente nesta terça-feira (31), por causa da cerimônia de inauguração, o funcionamento será das 16h às 20h. Nos dias seguintes, a circulação será de segunda a sexta, das 10h às 15h, com intervalos de até 14 minutos. A expectativa do governo é que a operação plena comece em até 90 dias.

O projeto prevê oito estações:

Morumbi

Chucri Zaidan

Vila Cordeiro

Campo Belo

Vereador José Diniz

Brooklin Paulista

Aeroporto de Congonhas

Washington Luís

No entanto, a estação Washington Luís ainda não será aberta neste primeiro momento.

Custo alto e capacidade limitada

Estação Vereador José Diniz (Linha 17-Ouro)

Paulo Guereta/Governo do Estado de SP

A linha foi entregue com 8,3 km de extensão e custo total de R$ 5,8 bilhões — mais que o dobro da estimativa inicial, que previa cerca de R$ 3,1 bilhões para um projeto maior.

Mesmo com a inflação, o custo por quilômetro chega perto de R$ 700 milhões, valor semelhante ao de linhas de metrô convencional, que têm capacidade muito maior de passageiros.

A expectativa é de que o monotrilho transporte cerca de 165 mil pessoas por dia útil. Para efeito de comparação, a Linha 3-Vermelha do metrô transporta cerca de 870 mil passageiros diariamente. O número também é inferior ao de corredores de ônibus como o da Avenida Luís Carlos Berrini, que atende cerca de 170 mil pessoas por dia.

Expansão em estudo

A CBN apurou que o governo deve anunciar, durante a inauguração, a expansão da linha. O novo traçado não seguirá o projeto original, mas a ideia é levar o monotrilho até a região de Paraisópolis, como inicialmente previsto.

Histórico de atrasos

Obras da Linha 17-Ouro do Metrô

Paulo Guereta/Governo do Estado de SP

A Linha 17-Ouro foi anunciada em 2011, durante a gestão do então governador Geraldo Alckmin, em uma cerimônia realizada justamente em Paraisópolis. À época, o projeto previa 18 estações e entrega antes da Copa do Mundo de 2014.

Ao longo dos anos, no entanto, a obra enfrentou uma série de problemas: paralisações, disputas judiciais, rompimentos de contratos — ao menos três consórcios deixaram o projeto — além de impactos das investigações da Operação Lava Jato.

A construção chegou a ficar parada por anos e só foi retomada em 2019, ainda na gestão de João Doria.

O resultado é uma linha menor do que a planejada originalmente, com menos estações e menor capacidade de transporte.

Peso eleitoral

Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes na inauguração da Linha 17-Ouro do Metrô

Pablo Jacob/Governo Estado SP

A entrega da Linha 17-Ouro deve ser uma das principais vitrines do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na campanha à reeleição.

A obra é considerada simbólica por ter sido promessa de diferentes gestões e por representar um exemplo de projeto que ficou anos sem avanço. Nos bastidores, a estratégia do governo é associar a imagem de Tarcísio à entrega de grandes obras de infraestrutura, incluindo também o Rodoanel Norte e outras intervenções previstas para este ano, como o Trem Intercidades Campinas e o túnel Santos-Guarujá.