Apoio decisivo da Itália garante aprovação do acordo UE–Mercosul
Os países-membros da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9) o Acordo de Livre Comércio com o Mercosul, após o apoio decisivo da Itália garantir a maioria qualificada necessária. A França votou contra e anunciou que seguirá tentando barrar o tratado no Parlamento Europeu.
Com o aval dos governos nacionais, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira, em Assunção, no Paraguai. O texto ainda passará pela análise dos eurodeputados nas próximas semanas, em uma votação considerada potencialmente apertada, marcada pelo peso de interesses nacionais.
Negociado desde 1999, o acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo a União Europeia e os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. O tratado prevê a eliminação de grande parte das tarifas e deve impulsionar exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e queijos, ao mesmo tempo em que facilita a entrada na Europa de produtos sul-americanos como carne bovina, aves, açúcar, arroz, mel e soja, dentro de cotas isentas de impostos.
Esse ponto concentra a principal resistência, sobretudo do setor agrícola europeu e do governo francês, que afirmam que o acordo pode desestabilizar a agricultura local ao permitir a entrada de produtos mais baratos e com padrões ambientais considerados inferiores aos exigidos pela UE. Já países favoráveis, como Alemanha e Espanha, defendem que o tratado pode ajudar a revitalizar a economia europeia, pressionada pela concorrência chinesa e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Apesar da oposição francesa, analistas avaliam que o voto contrário — incomum para um dos países fundadores da União Europeia — não resolve a crise agrícola interna, marcada por protestos e bloqueios, que tendem a se intensificar nas próximas semanas, inclusive em Bruxelas.
