Apoiado por Bolsonaro, Hélio Lopes entra na corrida pelo TCU em meio a disputa entre PT e Centrão
O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) anunciou nesta quinta-feira que colocou seu nome à disposição da Câmara dos Deputados para disputar a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU), afirmando contar com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. A entrada do parlamentar amplia a disputa política em torno da indicação e adiciona nova pressão sobre o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), responsável por conduzir a eleição.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, Lopes afirmou que decidiu lançar sua candidatura após conversas com lideranças nacionais, entre elas Bolsonaro, e disse já reunir mais de 80 assinaturas de apoio entre deputados. Segundo ele, os diálogos trataram da necessidade de fortalecer os órgãos de controle e garantir fiscalização dos recursos públicos.
A movimentação insere formalmente o bolsonarismo na disputa pela cadeira que será aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, prevista para o fim deste mês. Nos bastidores, aliados do ex-presidente afirmam que Bolsonaro passou a incentivar a construção de uma candidatura alinhada à oposição como forma de ampliar influência em órgãos de controle mesmo fora do poder.
Além disso, o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), também articula apoio entre bancadas de oposição e deputados independentes, ampliando a fragmentação do cenário. Côrtes, no entanto, só será candidato se abrir uma segunda vaga, não entrando em conflito com os planos de Lopes. Esta segunda cadeira abriria caso o ministro Augusto Nardes antecipe sua aposentadoria.
Acordo com o PT sob pressão
A eleição ocorre em meio à tentativa de Hugo Motta de cumprir o acordo político firmado ainda em 2024, quando prometeu apoiar o deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga no tribunal em troca do apoio do PT à sua candidatura à presidência da Câmara.
O compromisso, porém, enfrenta resistências crescentes dentro do Centrão. O PSD lançou o deputado Hugo Leal (RJ) como candidato alternativo, enquanto o União Brasil discute nomes próprios para a disputa, à exemplo de Elmar Nascimento (BA) e Danilo Forte (CE). Parlamentares avaliam que a votação, por ser secreta, tende a estimular candidaturas avulsas e aumentar o risco de dissidências partidárias.
Desafio para Motta
A multiplicação de candidaturas transformou a escolha para o TCU em um dos primeiros grandes testes de articulação política de Motta à frente da Câmara. Reservadamente, líderes afirmam que o presidente da Casa tenta evitar pautar a votação sem segurança de vitória para o nome apoiado no acordo com o PT, diante do risco de derrota em plenário.
Deputados envolvidos nas negociações avaliam que a entrada de Hélio Lopes reforça o ambiente de disputa aberta e torna o resultado ainda mais imprevisível, num processo em que votos individuais tendem a pesar mais do que orientações partidárias.
