Apesar de bloqueio, EUA permitem a petroleiro russo chegar a Cuba
A chegada de um petroleiro russo carregado com petróleo bruto a Cuba foi confirmada nesta segunda-feira (30), em meio à crise energética que atinge a ilha após meses de restrições impostas pelo governo de Donald Trump. A operação, autorizada pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, representa um alívio imediato para o abastecimento cubano e gerou reação positiva por parte de Moscou.
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A embarcação, identificada como Anatoly Kolodkin, transporta cerca de 730 mil barris de petróleo e pertence ao governo russo. Segundo dados da MarineTraffic, o navio navegava ao longo da costa cubana rumo ao porto de Matanzas antes de concluir sua chegada. Trata-se do primeiro carregamento de petróleo a alcançar a ilha desde o início de janeiro.
Imagens dos ex-presidentes cubanos Fidel Castro e Raúl Castro, e do atual presidente, Miguel Díaz-Canel, em Havana neste mês
Ramon Espinosa/AP
Analistas avaliam que o envio deve aliviar temporariamente a crise de combustível no país caribenho, garantindo algumas semanas adicionais de abastecimento. O gesto também reduz a pressão sobre o governo cubano, que enfrenta dificuldades econômicas crescentes, e reforça o apoio da Rússia, aliada histórica de Havana.
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A reação do Kremlin foi imediata. Em coletiva nesta segunda-feira, o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, celebrou a operação. “Ficamos felizes que essa carga de produtos petrolíferos chegue à ilha, ou melhor, que já tenha chegado”, afirmou. Ele acrescentou que Moscou considera seu “dever” fornecer apoio aos cubanos diante das restrições impostas por Washington.
Desde janeiro, os Estados Unidos vinham adotando medidas que, na prática, configuram um bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, com ameaças a países exportadores e ações diretas para impedir entregas. Em um dos episódios, um navio-tanque foi escoltado e impedido de chegar ao destino.
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Apesar de manter dois navios patrulha na região, a Guarda Costeira americana não recebeu ordens para interceptar o petroleiro russo. Segundo um funcionário com conhecimento da operação, a orientação foi permitir a chegada da embarcação, evitando uma escalada de tensões com Moscou nas proximidades da Flórida.
O petroleiro , que transporta cerca de 730 mil barris de petróleo e pertence ao governo russo
Maxar Technologies/ The New York Times
A decisão da Casa Branca não foi detalhada. Questionado, Trump afirmou no domingo que não via problema no envio de petróleo russo à ilha. “Eu preferiria deixar que entre, seja da Rússia ou de qualquer outro, porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e outras coisas necessárias”, disse.
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A crise energética cubana se agravou após a interrupção do fornecimento venezuelano, principal fonte de petróleo da ilha. Desde então, o país enfrenta alta nos preços dos combustíveis, redução no transporte público e apagões recorrentes, que já provocaram protestos em diferentes regiões.
Procurada, a Casa Branca não comentou o caso. Autoridades cubanas também não se manifestaram oficialmente. Em nota, a embaixada russa no México reiterou a “total solidariedade” de Moscou a Cuba e classificou como ilegítimas as restrições ao fornecimento de energia, afirmando que o país está pronto para oferecer “toda a assistência necessária”.
The New York Times com AFP
