Apenas 13% da malha cicloviária do Rio é composta por pistas excluivas para bicicletas
Só 13% da malha cicloviária do Rio é composta por pistas exclusivas. No total, a cidade tem 468 quilômetros de infraestrutura para bicicletas, mas apenas 62 quilômetros são de ciclovias com separação física em relação às pistas para carros e às calçadas.
Os demais são de ciclofaixas ou vias compartilhadas, ou seja, sinalizadas apenas com pintura no piso ou placas de trânsito. O levantamento foi feito pela CBN com base nos dados atualizados pela Prefeitura em fevereiro.
Na prática, isso significa que a maioria dos ciclistas no Rio precisa disputar espaço com carros ou circular em áreas divididas com pedestres. Para os "cicloativistas", o problema acontece porque o poder público entende as ciclovias como equipamentos voltados ao lazer, e não como complemento ao trânsito. Por isso, elas acabam concentradas em áreas turísticas, como praias e parques.
A integrante da Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio, Vivi Zampieri, diz que essa visão precisa mudar.
"A cidade precisa, em algum momento, parar de pensar a infraestrutura cicloviária como um elemento recreativo e, sim, como um elemento que salva vidas no trânsito. Esse elemento que salva vidas no trânsito pode ser dos entregadores, que dependem da ciclovia, pode ser de pessoas indo para o seu trabalho ou crianças indo para a escola, por exemplo".
A questão voltou à tona depois da morte de mãe e filho, na Tijuca, após serem atingidos por um ônibus enquanto andavam de bicicleta elétrica.
A prefeitura publicou, em 2023, o "CicloRio", um plano de expansão cicloviária para a cidade. O documento previa integração de todas as estações de metrô, trem e BRT com faixas para ciclistas até o fim de 2024, mas essa promessa só foi cumprida na Zona Sul.
