Apartamento de tio de Suzane von Richthofen é esvaziado 11 dias após morte; família fala em 'saque'

 

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O apartamento onde o médico aposentado Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, foi encontrado morto no último dia 9, no Campo Belo, na zona sul de São Paulo foi esvaziado 11 dias depois de sua morte, segundo relato de uma parente. Miguel é tio de Suzane Magnani, ex-von Richthofen.

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Tio de Suzane von Richthofen: Polícia investiga como suspeita a morte de Miguel Abdalla Netto

De acordo com Silvia Magnani, sobrinha de Miguel, o imóvel foi “saqueado” no dia 20, com a retirada de todos os eletrodomésticos, mobília e até o carro da vítima, um Subaru praticamente novo, avaliado em R$ 256 mil. Silvia afirma que alguns dos móveis levados eram dela e nem pertenciam ao médico.

Apartamento de Miguel Abdalla Netto, tio de Suzane von Richthofen, é esvaziado 11 dias após sua morte

Arquivo Pessoal

Segundo ela, ao procurar a 27ª Delegacia de Polícia, no Campo Belo, para registrar o boletim de ocorrência, foi informada de que não seria possível fazer o registro naquele momento e orientada a voltar no dia seguinte. Na delegacia, diz ter ouvido de um policial que provavelmente um outro parente, que ele não soube identificar, teria ido ao local com um caminhão e recolhido tudo. Ainda assim, Sílvia relata que comunicou que o apartamento havia sido invadido e que os bens desapareceram antes mesmo do início formal do inventário.

O atestado de óbito de Miguel aponta causa indeterminada e indica a necessidade de exames complementares para esclarecer o que de fato aconteceu. A Polícia Civil trata o caso como morte suspeita.

Miguel Abdalla Netto, tio de Suzane von Richthofen, e Silvia Magnani

Arquivo Pessoal

Os bens deixados por Miguel, incluindo o apartamento invadido, aplicações financeiras e outras propriedades, tornaram-se objeto de uma disputa judicial. De um lado está Suzane. Do outro, Silvia Magnani, prima dele, que tenta ser reconhecida judicialmente como companheira para ter direito a uma parte da herança. “Nos moramos juntos por 14ª nos”, diz a prima.

Silvia desconfia que o esvaziamento do imóvel tenha ocorrido depois que veio a público a informação de que Suzane pode ficar com os bens do tio. Segundo ela, logo após a morte de Miguel o portão do prédio foi pichado com as frases “foi a Suzane?” e “Suzane é assassina”.

Para Silvia, as mensagens indicam uma tentativa de atribuir a morte do médico à sobrinha, num momento em que o caso é oficialmente tratado pela Polícia Civil como morte suspeita. Ela lembra que Suzane foi condenada por mandar matar os próprios pais para ficar com a herança e afirma que agora, novamente, a possibilidade de ela se beneficiar do patrimônio de um parente morto voltou a cercar o caso de desconfiança.

Suzane von Richthofen e Silvia Magnani disputam herança

Reproduções

Miguel foi encontrado morto dentro do apartamento, sentado em uma poltrona, já em avançado estado de decomposição. O corpo foi localizado por um vizinho, que tinha a chave do imóvel e entrou no local depois de estranhar a ausência prolongada do médico.

Desde então, esse mesmo vizinho passou a ser procurado tanto por Suzane quanto por Silvia, que queriam ter acesso ao apartamento. Ele se recusou a entregar a chave a qualquer uma das duas, afirmando que só o faria mediante apresentação de uma autorização judicial.

Miguel foi sepultado em Pirassununga, no interior de São Paulo. Ele não tinha pais vivos, esposa, irmãos nem filhos, o que abriu caminho para que parentes colaterais passassem a disputar judicialmente o patrimônio deixado por ele.

Um levantamento feito em cartórios de todo o país confirmou que Miguel não deixou testamento. A ausência do documento muda completamente o destino dos bens e, na prática, coloca Suzane na linha sucessória, salvo se houver decisão judicial em sentido contrário.

Há uma ironia central nesse desfecho. Foi o próprio Miguel quem, anos atrás, entrou na Justiça para impedir que Suzane herdasse os bens dos pais que ela mandou matar, conseguindo que ela fosse declarada indigna de herdar naquele caso.

Agora, com a morte do tio, sem testamento e com o apartamento esvaziado depois do óbito, a disputa pelo patrimônio começa sob suspeitas, enquanto a polícia tenta esclarecer as circunstâncias da morte e a Justiça passa a organizar a partilha do que restou.