O Rio de Janeiro reduziu pela metade o número de interrupções no fornecimento de energia provocadas por queimadas entre 2024 e 2025.
Segundo dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) consolidados pela Abradee (Associação Brasileira de Energia Elétrica), o número de ocorrências no estado caiu de 581 para 295 — queda de 49,2% que contrasta com o cenário nacional: no mesmo período, o país registrou aumento de 11,12%, passando de 77.101 para 85.674 interrupções.
Em 2025, o Rio também apresentou uma das menores participações entre os estados do Sudeste, atrás de Minas Gerais e São Paulo, e ficou na 14ª posição do ranking nacional.
Nordeste e Norte permaneceram como as regiões com maior concentração de ocorrências, seguidas de Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Entre os estados, o Pará lidera o ranking.
Tecnologia
Para reduzir os impactos das queimadas sobre a rede elétrica, as distribuidoras vêm ampliando investimentos em tecnologia.
Entre as iniciativas estão o uso de drones, helicópteros, sensores térmicos e sistemas de monitoramento para identificar áreas de risco antes que os incêndios atinjam a infraestrutura elétrica.
As empresas também fazem manutenção preventiva e limpeza das faixas de segurança sob as redes, além de atuar em parceria com serviços de meteorologia, Corpo de Bombeiros e órgãos públicos para agilizar a resposta às ocorrências.
Para a presidente da Abradee, Patricia Audi, a redução depende de um esforço coletivo que vai além da atuação das distribuidoras.
"As distribuidoras estão cada vez mais preparadas para responder aos impactos das queimadas, mas a solução passa, necessariamente, por um esforço coletivo.
É essencial fortalecer a integração entre os órgãos públicos, responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios, e ampliar o engajamento da população, que tem um papel importante na redução desses eventos.
Evitar queimadas irregulares, não soltar balões e adotar comportamentos seguros são atitudes que contribuem para esse processo", afirma.
Sazonalidade
Os dados também confirmam um padrão sazonal nas ocorrências em todo o país.
Setembro foi o mês mais crítico, com 19.674 interrupções no acumulado dos dois anos, seguido por agosto (16.889) e outubro (15.443).
Em 2025, porém, o período crítico avançou para outubro, indicando ampliação da janela de risco provocada por condições climáticas mais severas.
Segundo o head de Operações Meteorológicas da Climatempo, Pedro Regoto, a temporada de queimadas de 2026 já começou com sinais de atenção.
"O comportamento registrado até meados de junho funciona como um indicador antecedente do potencial da estação seca.
Neste ano, chama atenção o aumento das ocorrências de focos de calor na Amazônia e a manutenção de um corredor crítico entre Mato Grosso, Pará, Tocantins, Maranhão e Bahia", afirma.
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