Apagão sem chuva: após mais de dois dias, moradores seguem sem luz e Enel ainda não explica causa do problema

 

Fonte:


Mesmo com sete geradores da Enel e outros três particulares em funcionamento, moradores da Rua Paim, na Bela Vista, região central de São Paulo, seguem enfrentando a falta de energia iniciada na terça-feira (3). A crise, prestes a entrar no terceiro dia, ainda não tem um prazo definido para terminar. A concessionária também não conseguiu explicar a origem do problema, limitando-se a mencionar, de forma genérica, uma “ocorrência na rede subterrânea”.

Embora os cerca de 450 metros da Rua Paim — além de trechos de vias vizinhas — estejam sendo abastecidos por geradores, os moradores agora lidam com o barulho constante dos equipamentos e com sua presença ostensiva na via, o que dificulta o acesso de pedestres e veículos à região.

— É uma região muito cara para passar raiva — disse o terapeuta capilar Júnior Teodoro, ao sair de um prédio na área.

Segundo ele, além do ruído, a circulação na rua foi prejudicada pela grande quantidade de geradores instalados. O morador afirma ter acionado a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), mas relata que nenhuma equipe compareceu ao local.

Com diversos edifícios de alto padrão na região, moradores relatam dificuldades para entrar e sair de garagens, já que os geradores bloqueiam parte da via e comprometem a visibilidade de quem tenta manobrar ou verificar a aproximação de outros veículos.

Funcionários de minimercados próximos disseram que as redes às quais pertencem providenciaram rapidamente geradores próprios para evitar a perda de alimentos. Os geradores particulares, no entanto, seriam ainda mais barulhentos que os equipamentos da Enel. Os funcionários pediram para não ser identificados.

Em nota, a Enel informou que técnicos realizam uma varredura minuciosa, galeria por galeria, ao longo de toda a malha subterrânea da região. Segundo a concessionária, o trabalho é exaustivo e enfrenta barreiras físicas, como acúmulo de água de chuva ou esgoto e calor extremo no subsolo, o que dificulta a entrada imediata das equipes. O diagnóstico depende de máquinas que enviam sinais pela rede para localizar o ponto exato da falha, onde então é necessária intervenção manual em condições consideradas insalubres.

A empresa afirmou ainda que a maioria dos clientes teve o fornecimento restabelecido por volta das 19h de quarta-feira (4) e que, até o momento, técnicos seguem atuando para normalizar o serviço para cerca de 186 clientes.

“A Enel Distribuição São Paulo informa que o fornecimento de energia foi normalizado para os cerca de 20 mil clientes afetados pela ocorrência na rede subterrânea que atende parte da região central da capital. Algumas unidades seguem abastecidas por geradores, disponibilizados pela companhia, enquanto são realizados os reparos finais na rede”, afirmou a concessionária.