Apagão em Cuba: dois terços do país às escuras, incluindo a capital, Havana; 'blackout' impacta turismo
Uma falha na rede elétrica deixou dois terços de Cuba sem energia, incluindo Havana, nesta quarta-feira, segundo a companhia nacional de eletricidade. O problema teve origem em uma pane na usina termoelétrica Antonio Guiteras, uma das maiores da ilha, de acordo com a concessionária.
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A ilha enfrenta uma crise energética e econômica sem precedentes que tem provocado apagões generalizados. Os déficits de geração chegam a 2 mil megawatts, junto de dificuldades no abastecimento de combustível que têm causado impactos severos no setor de turismo, um dos pilares da economia da ilha caribenha.
Segundo a estatal Unión Eléctrica, a capacidade disponível do Sistema Elétrico Nacional tem ficado muito abaixo da demanda, gerando cortes que se prolongam por grande parte do dia em diversas regiões. Na noite de terça-feira, o déficit de geração alcançou cerca de 1 917 MW, deixando milhões de consumidores sem luz em horários críticos.
A deterioração da rede elétrica ocorre num contexto de agravamento da escassez de combustível, que tem afetado também a aviação civil. Autoridades cubanas notificaram operadoras aéreas de que diversos aeroportos internacionais, incluindo o José Martí, permanecem sem abastecimento de querosene Jet A-1, combustível essencial para voos comerciais, até pelo menos abril.
Em decorrência, companhias internacionais reagiram a essa restrição. A francesa Air France anunciou a suspensão de seus voos entre Paris e Havana de 28 de março a 15 de junho, citando a falta de combustível como motivo principal — um golpe adicional ao já vulnerável turismo cubano.
A conectividade aérea reduzida se soma a outras decisões recentes de transportadoras: a canadense Air Canada informou que não retomará seus voos à ilha até novembro de 2026, prolongando indefinidamente a interrupção das ligações regulares.
O cenário energético precário tem reflexos diretos na economia e na vida cotidiana. A produção de energia elétrica depende fortemente de usinas térmicas envelhecidas, cuja capacidade está limitada por falta de manutenção e de combustível, resultado de anos de investimentos insuficientes e da quebra de fornecimento de petróleo de parceiros tradicionais.
