Aos 82 anos e idade biológica de 20: o ultramaratonista espanhol que desafia a ciência
O espanhol Juan López García se tornou alvo de pesquisas científicas por desafiar o envelhecimento. O homem de 82 anos, morador de Toledo (Espanha), é recordista de ultramaratona na categoria dos ocatgenários e teve a idade biológica estimada em 20 anos depois de exames realizados por pesquisadores italianos e da Universidade de Castilla (Espanha).
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A história do espanhol, hoje considerado um superatleta, não começou na juventude como muitos podem imaginar. Juan começou a correr quando se aposentou, aos 66 anos.
Juan López García, correndo em Toledo (Espanha), é recordista de ultramaratonas
Reprodução/Youtube
De acordo com o estudo publicado na revista suiça "Frontiers", a frequência de exercícios do octagenário aumentou a sua resistência fisiológica e conferiu uma idade biológica de um homem saudável, em torno dos 20 anos, para o corpo do homem de 82 anos.
No início da jornada de atleta, Juan competia em provas de 800 metros e depois passou para distâncias maiores até chegar às ultramaratonas, que variam de 50 a 100 quilômetros.
Testes de resistência e de gasto energético indicaram que o octagenário possui as taxas mais altas de transporte e utilização de oxigênio já observadas em pessoas de 80 anos. Esse tipo de mecanismo corporal costuma perder a força depois dos 50 anos, mas aumentou em Juan a partir dos 65, à época em que começou a treinar de forma séria.
O octagenário não apresentou nenhum método secreto ou revolucionário para explicar suas capacidades físicas. Na verdade, a resposta é bastante simples: ele se dedica nos treinos.
Atualmente, quando não está se preparando para uma maratona, corre 64 quilômetros por semana. Em períodos de competição, a distância quase dobra.
Pesquisadores da revista suíça "Frontiers" realizaram testes de força e resistência para entender a fisiologia de Juan García
Reprodução/Youtube
A grande maioria dos seus treinos é longa e de intensidade moderada. Ele também faz musculação algumas vezes por semana em sessões orientadas pelo treinador pessoal profissional.
Quanto à alimentação, Juan segue uma dieta mediterrânea: rica em frutas e verduras, alimentos com alto teor de fibras e antioxidantes, e que não provoquem inflamação.
Segundo Julián Alcázar, um dos autores do estudo, alcançar um envelhecimento em condições semelhantes às de López García não é apenas uma aspiração, mas algo possível para a maioria das pessoas.
“Até pouco tempo atrás, não se considerava possível nem positivo que pessoas idosas praticassem muito exercício”, disse o pesquisador ao Washington Post. Juan prova o contrário. “Não só é possível, mas recomendado”, concluiu.
O ultramaratonista recomenda que pessoas mais velhas que desejam começar a praticar exercícios iniciem de forma gradual, com caminhadas rápidas e, depois, com a corrida.
"Eu lembro dos meus avós nessa idade. Eles realmente pareciam pequenas pessoas, com aparência de idosos. Hoje não me sinto velho", disse Juan.
(*) Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira
