Aos 60, Supla fala do rótulo de nepo baby e da decisão de trocar casa em bairro de luxo por vida no Centro de São Paulo

 

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Supla completou 60 anos de vida no dia 2 de abril e segue com uma carreira movimentada. Para 2026, ele tem dois projetos inéditos: o filme "Sangue de groselha", dirigido por Marko Martinz e Loli Menezes, e a série "Wander", da Warner. Paralelamente, trabalha seu 13º álbum solo, lançado no ano passado, e já começou a compor o próximo. Ele conta que, para se manter produtivo, vive uma rotina diferente daquela que imaginam ser a de um rockstar:

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— A única coisa que eu penso é em ter saúde. Faço cinco coisas básicas que a atriz Jane Fonda uma vez mencionou e que acho fantásticas: dormir bem é muito importante; exercício físico é essencial; comer vegetais, frutas e coisas coloridas; ter boas amizades e pessoas positivas ao seu lado; e, por fim, estar em contato com a natureza pelo menos uma vez por semana. Uma coisa que você tem que aprender é que não adianta ir contra a natureza. O importante é fazer o melhor com o que se tem. E eu acho que meu espírito ainda é meio jovem. Gosto das mesmas coisas que gostava quando era moleque. Por que mudaria agora?

A sua estreia no cinema aconteceu em 1990, no filme "Uma escola atrapalhada", que contou com a participação de nomes como Angélica, Gugu, Fafy Siqueira e os Trapalhões. Ele lembra da experiência:

— Eu sempre gostei muito dos filmes do David Bowie, dos Beatles, do Elvis Presley e até do Led Zeppelin. Isso me inspirou. Na época, eu estava muito na mídia, tinha 18 anos, tocava direto, estava em todos os programas divulgando disco. Quando recebi esse convite, aceitei na hora. Era um filme com os Trapalhões, e não sabia que seria o último com todos eles juntos. Fiz o filme com a cara e a coragem, sem nunca ter feito curso de ator. Peço até perdão aos atores, mas às vezes você é escolhido para um filme pelo seu carisma, para esse tipo de personagem que imaginavam. Acho que desempenhei bem o papel, tanto que o filme virou cult. A galera gosta bastante. Acho que deu certo no final das contas. Foi muito importante; ali foi o começo, e você percebe que pode fazer aquilo. Foi um divisor de águas para mim, acho que consegui dar o recado.

Cenas do filme em que contracena com Angélica foram resgatadas na internet após 35 anos de seu lançamento. O músico fala da renovação de seu público por meio das redes sociais, onde acumula mais de um milhão de seguidores só no Instagram:

— Além das coisas de 5ª série, que são muito divertidas, falo sobre muitos outros assuntos. Porque acho que a internet não é lugar para se aprofundar em um tema. Primeiro você se interessa, depois vai estudar.

Supla diz não entender muito o significado do termo "nepo baby", mas fala da cobrança por ser filho de Marta e Eduardo Suplicy, dois políticos influentes no Brasil:

— Tenho muito orgulho de ser filho de quem sou. Não segui o caminho deles na política; faço o meu trabalho. Acho isso um privilégio, mas, ao mesmo tempo, já me atrapalhou bastante. Porque, quando você é filho de políticos, quem não é do partido dos seus pais já fica bravo com você automaticamente. E qual é o meu privilégio? Nunca usei a Lei Rouanet. Minha mãe foi ministra da Cultura e do Turismo, e nunca usei nada. Tenho minha opinião e faço minha política. Meu pai sempre disse: "Acho muito legal o que você faz. Você faz sua política na sua arte". Há 40 anos é a mesma cobrança. Um dos motivos de eu ter ido para os Estados Unidos (onde morei por alguns anos na década de 1990) foi justamente para ver se eu era bom mesmo.

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Há cerca de 15 anos, ele decidiu se mudar para o centro de São Paulo, após viver parte da vida em um bairro de luxo da cidade. Ele explica a decisão:

— As pessoas sabem que moro aqui. Gosto porque aqui me lembra muito Nova York nos anos 1980. Tem uma mistura de muita gente, é diverso, você fica ligado em tudo, nas gírias, nas coisas que as pessoas comentam e falam. Aqui há muito mais inspiração para palavras e para o que você vê.

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