Aos 51, Carol Kasting fala de tratamento para distorção de imagem: 'Comecei a me ver fora do peso, e eu não estava'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Longe das novelas desde "Salve-se quem puder" (2020), Carolina Kasting dedicou os últimos anos aos estudos. A atriz resolveu voltar à faculdade e agora se prepara para um mestrado:

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— Eu retomei a minha pesquisa fazendo uma graduação em Teatro, porque a minha formação era de 30 anos atrás em um curso técnico. Eu não era graduada, então eu finalizei esse bacharelado na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), pois eu tenho a intenção de começar o mestrado.

Durante seu período fora da TV, a atriz expandiu sua atuação para as artes plásticas, a performance e a poesia. Agora, ela pretende retornar ao teatro:

— Vai ser uma coisa bem bacana. É um projeto que está bem no início, ainda não tem data de estreia, mas é sobre a Rosa Luxemburgo (filósofa polonesa).

E eu vou chamar pessoas muito importantes para estarem comigo nessa empreitada. Teremos duas outras atrizes em cena, a equipe vai ser basicamente toda feminina.

A atriz também poderá ser vista novamente no audiovisual: — Ainda não posso dar detalhes.

Estou feliz com a retomada, que vai ser prazerosa. Eu retorno este ano ao audiovisual e ao teatro.

Eu nunca deixei nem vou deixar de ser atriz. Tem sempre projetos acontecendo, assim como vou estar sempre envolvida com artes plásticas e performances.

Aos 51 anos, Carolina avalia que está "no melhor momento da vida": — É o momento em que eu me sinto mais bonita, mais capaz, mais potente, mais sensual e com mais força de vida.

A maturidade me trouxe uma possibilidade de consciência maior sobre mim mesma, sobre o mundo, sobre a sociedade e sobre os outros. E essa consciência possibilita reparações de traumas e de opressões que você sofreu quando era mais jovem, quando tinha muita necessidade da opinião do outro.

Agora, você mesma se dá o aval. A mulher, quando ela chega a determinada idade, já fez tudo que poderia ter feito.

Já é mãe, já trabalhou, já foi jovem. Ela vai num declínio.

Mas a experiência de vida que eu tenho é o contrário. Eu trabalhei muito na minha juventude, fiz uma novela atrás da outra.

Eu sou muito atenta para manter essa valorização do meu trabalho. Então, as pessoas se surpreendem e dizem: "Nossa, como você não envelhece".

Recentemente mudei a palavra "envelhecer" para "amadurecer", porque essa ideia de decadência para mim não funciona. Eu falo: "O tempo passa, só que ele passa bem."

A atriz recentemente passou a compartilhar nas redes sociais sua rotina de alimentação e exercícios físicos como forma de alerta sobre distorção de imagem. Ela conta que buscou tratamento:

— Com essa maturidade, eu comecei a entender que a forma como eu tinha que caber com o meu corpo era um paradigma. Não era uma valorização da singularidade de cada um.

Eu vim do balé clássico, depois trabalhei como modelo, entrei para o teatro e então fui para a televisão. Em todos esses espaços eu fui encontrando essas formas.

Estruturalmente, o seu corpo e a sua mente entendem que, para ser bonita, você tem que estar nesse padrão. E ele é violento.

Quando você alcança uma determinada idade, a produção hormonal muda. Eu fui buscar entender qual seria alimentação adequada para minha idade.

Eu fui construindo uma imagem de mim mesma com essa necessidade de corresponder a esse padrão. Quando eu cheguei à maturidade, eu falei: "Espera aí, por que eu preciso ter esse padrão? Se as curvas são bonitas, se o prazer que eu sinto com o meu corpo é maior do que isso? Por que eu tenho que viver em um tipo de restrição alimentar?".

E aí eu fui procurar ajuda. O distúrbio te causa um hiato entre a sua imagem real e a sua autoimagem.

Então, você se olha no espelho e não vê exatamente aquilo que é real, mas sim uma projeção distorcida. Eu comecei a me ver fora do peso, por exemplo, e eu não estava.

TV e famosos: se inscreva no canal da coluna Play no WhatsApp Carolina é casada há 27 anos com o designer e diretor Maurício Grecco.

Eles são pais de Cora, de 21 anos, e de Tom, de 10. A filha mais velha segue os passos da mãe na profissão de atriz:

— Eu tenho um companheiro muito presente comigo. Eu costumo dizer que a gente não é uma família heteronormativa, no sentido de que a gente não tem uma preocupação de cumprir determinado tipo de formato de família.

Somos muito livres. Todos nós somos artistas, inclusive a Cora, que agora também está fazendo faculdade de teatro e canta há muitos anos.

Eu tento passar para a minha filha a valorização da diferença dela. Eu sou atriz, ela é atriz, mas ninguém segue o caminho de ninguém.

Isso é fato, a gente cava o nosso próprio caminho. Eu acredito no trabalho.

Às vezes fica essa questão: "Ah, mas o que você acha de pessoas que não são atores atuando?". Não acho problema, pode atuar.

Mas a profissão é esse trabalho que a gente passa para a Cora. Não quer dizer que ela não vá fazer coisas midiáticas, que também são importantes, mas o trabalho é o alicerce, é o que sustenta.

Carolina Kasting e a filha, Cora Reprodução/Instagram

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Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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