Aos 47, mulher muda de carreira e alcança sucesso na criação de conteúdo: 'Idade não deveria limitar ninguém'

 

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Aos 47 anos, a curitibana Fabi Drumond decidiu mudar de carreira e passou a atuar como criadora de conteúdo digital, após anos trabalhando na área da saúde. Em meio ao debate crescente sobre etarismo no Brasil, especialmente durante o Mês da Mulher, trajetórias como a dela evidenciam como mulheres têm buscado redefinir limites associados à idade no mercado de trabalho. Desde a transição, ela afirma já ter ultrapassado R$ 500 mil em faturamento.

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Antes da mudança, Fabi atuava como tecnóloga em radiologia em hospitais e clínicas, com renda mensal entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil. A decisão de migrar de área ocorreu após o contato com a plataforma Privacy, voltada à monetização de conteúdo digital, por indicação de uma amiga que já trabalhava nesse segmento.

Inicialmente encarada como um teste, a nova atividade acabou se consolidando como profissão. "Eu sempre gostei de fazer fotos sensuais, mas nunca tinha trabalhado com conteúdo nesse sentido. Resolvi tentar e deu muito certo. Mudou completamente a minha vida", explica.

Apesar do retorno financeiro e da flexibilidade de rotina, ela relata que ainda enfrenta comentários relacionados à idade.

"Às vezes aparecem críticas dizendo: 'nossa, nessa idade fazendo isso?'. E eu respondo: 'existe idade para isso agora? Enquanto eu me sentir bem, vou continuar'", diz. "As pessoas falam como se envelhecer fosse uma coisa errada, mas todo mundo envelhece", acrescenta. "Envelhecer é um privilégio. Ou a gente envelhece, ou a gente morre", completa.

Fabi Drumond

Divulgação

O relato se insere em uma discussão mais ampla sobre o etarismo, discriminação baseada na idade, que afeta principalmente mulheres, frequentemente submetidas a padrões estéticos e expectativas sociais mais rígidas. Nos últimos meses, figuras públicas como a cantora Claudia Leitte e a atriz Irene Ravache também abordaram o tema ao comentar episódios de críticas relacionadas ao envelhecimento.

No contexto da chamada economia de criadores, a trajetória de Fabi destoa do perfil predominante. Dados da própria plataforma indicam que a média de idade dos criadores é de 27 anos, com cerca de 80% concentrados entre 19 e 34 anos. As mulheres representam aproximadamente 70% dos perfis ativos, o que aponta para um protagonismo feminino nesse modelo de trabalho digital.

Segundo ela, a maturidade contribui para a forma como conduz a própria atividade. "Hoje eu sou a empresária, a empresa e o produto da minha empresa. Posso organizar meu tempo, viajar e produzir conteúdo em diferentes lugares. Essa liberdade é algo que eu nunca imaginei ter", destaca.

Praticante de musculação seis vezes por semana, Fabi revela se sentir mais confortável com o próprio corpo do que em fases anteriores da vida. "Depois dos 40 a gente entende melhor quem é. Eu me sinto bem comigo mesma e acho que isso também passa para quem acompanha meu trabalho", observa.

Fabi Drumond

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Sem estabelecer um prazo para encerrar a carreira, Fabi afirma que pretende seguir na atividade enquanto houver interesse. "Enquanto eu tiver vontade e me sentir bem, vou continuar. A idade não deveria limitar ninguém", conclui.