Aos 31 anos, bilionário herdeiro da Ray-Ban compra fatia de irmãos e se torna maior acionista da empresa

 

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O herdeiro da EssilorLuxottica, Leonardo Maria Del Vecchio, vai comprar as participações de dois de seus irmãos na holding familiar por cerca de € 10 bilhões (US$ 11,7 bilhões), disseram pessoas familiarizadas com o assunto, tornando-se o maior acionista individual no império conhecido pela sua principal marca, Ray-Ban, construído por seu pai.

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Seis dos oito acionistas da Delfin Sarl, empresa da família, aprovaram a venda da participação combinada de 25% em uma reunião extraordinária na segunda-feira, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas.

Leonardo Maria, que completa 31 anos na próxima semana, passará a deter 37,5%, incluindo os 12,5% que já possuía. O acordo encerra meses de negociações para comprar as participações dos irmãos Luca e Paola Del Vecchio e garantir o financiamento da transação.

O acordo impulsiona Leonardo Maria, executivo da EssilorLuxottica, a um papel central na empresa familiar criada por seu pai, Leonardo Del Vecchio, quase quatro anos após a morte do magnata dos óculos. Del Vecchio dividiu sua fortuna igualmente entre oito herdeiros, mas divergências têm travado decisões importantes na Delfin, já que o testamento exige consenso.

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Leonardo Maria teria mantido negociações com um grupo de bancos, incluindo UniCredit SpA, BNP Paribas e Crédit Agricole, para finalizar o financiamento, que seria garantido pela participação ampliada.

Os acionistas da Delfin também concordaram em eliminar o teto de 10% sobre a distribuição de dividendos como proporção do lucro líquido, disseram as fontes — medida que proporcionará fluxo de caixa a Leonardo Maria para pagar os juros de seus empréstimos.

Representantes de Leonardo Maria e da Delfin se recusaram a comentar.

Fortuna italiana

Leonardo Del Vecchio, que fundou a Luxottica e a fundiu com a francesa Essilor em 2018, deixou a segunda maior fortuna familiar da Itália ao morrer em 2022, segundo o índice de bilionários da Bloomberg.

Seus herdeiros incluem seis filhos — entre eles Leonardo Maria, Luca e Paola — além da viúva Nicoletta Zampillo e de Rocco Basilico, filho de Nicoletta de um casamento anterior.

O tamanho da participação de Leonardo Maria pode destravar novos negócios dentro da família, segundo as fontes.

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Um terceiro herdeiro Del Vecchio também poderia colocar uma participação na Delfin à venda — movimento que poderia acionar direitos de preferência dentro da estrutura acionária, dando aos membros da família e à holding instrumentos para evitar que um dos ramos se fortaleça excessivamente, informou a Bloomberg News na semana passada.

A Delfin, sediada em Luxemburgo, detém uma das maiores fortunas familiares da Europa. Seu portfólio, avaliado em mais de € 55 bilhões (US$ 64,5 bilhões), inclui uma participação de quase um terço na EssilorLuxottica, a maior empresa de óculos do mundo, com marcas como Ray-Ban, Oakley e Persol, além das redes varejistas LensCrafters e Sunglass Hut.

A EssilorLuxottica vem avançando no campo da tecnologia médica, liderada por sua parceria em óculos com inteligência artificial com a Meta. A empresa também investe em áreas como armações com recursos auditivos e controle da miopia, que busca desacelerar a progressão da condição.

Óculos Meta Ray-Ban Gen 2 com inteligência artificial durante o evento Meta Connect em Menlo Park, Califórnia, EUA

David Paul Morris/Bloomberg

Participações financeiras

Outros ativos da Delfin abrangem o setor financeiro e industrial italiano, incluindo participações relevantes no Banca Monte dei Paschi di Siena SpA e na Assicurazioni Generali SpA.

O pacote de dívida pode ser estruturado como um empréstimo-ponte, que daria tempo para avaliar diferentes opções para as participações da Delfin e sua governança corporativa, disse anteriormente à Bloomberg uma pessoa familiarizada com o assunto.

Alguns membros da família têm defendido a venda de ativos financeiros, segundo a imprensa local.

A receita com dividendos foi projetada em cerca de € 1,2 bilhão (US$ 1,4 bilhão) para 2025, de acordo com documentos da empresa.