Aos 10 anos, bailarina se prepara para deixar Belém e estudar no Bolshoi

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Fonte da notícia: O Liberal O Liberal

O endereço ainda é a Grande Belém, mas os planos de Alice Luz da Cunha já incluem Joinville, em Santa Catarina. Aos 10 anos, a menina foi aprovada na seleção nacional da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e se prepara para iniciar uma nova etapa de formação.

Única paraense entre os 40 selecionados, ela ingressará no primeiro ano do Curso de Dança Clássica em 2027 e será a “sementinha” do Norte na turma. Do baby class ao sonho profissional

A história da jovem bailarina com o balé começou aos dois anos e meio, quando Alice ingressou no baby class do Luz Centro de Dança, escola localizada em Ananindeua e dirigida por sua mãe, Aliny Luz, professora de dança.  Desde então, a menina vem desenvolvendo a técnica com uma formação baseada nas diretrizes internacionais da Royal Academy of Dance (RAD), além de preparação física, mobilidade, pilates e treinamento rítmico.

Segundo Aliny, o interesse da filha pela dança cresceu junto com o comprometimento com a formação. Alice passou a se dedicar aos exames de balé clássico e buscava boas notas e distinções, reconhecidas com medalhas de ouro.

A mãe também acompanha a preparação física da menina, com exercícios voltados à mobilidade e ao controle dos movimentos. Aliny conta que a  diretora da escola foi responsável pela inscrição da filha na seleção nacional, por acreditar no potencial da aluna. 

A família de Alice participou da preparação para a seletiva e agora organiza a mudança para Joinville (Carmem Helena / O Liberal) A preparação envolveu exercícios diários de musicalidade, avaliações cognitivas e atividades físicas para desenvolver postura, flexibilidade e mobilidade.

“Trabalhamos musicalidade, a parte cognitiva, questões de matemática e português, além de postura, mobilidade e flexibilidade. Houve realmente toda uma preparação para que ela pudesse alcançar essa vaga tão almejada”, conta a mãe.

Para Aliny, a aprovação também representa a realização de um sonho pessoal, já que ela própria desejou seguir carreira na dança. “Eu chego a me emocionar de ver ela alçar esse voo tão pequenininha em uma escola renomada”, afirma.

Seleção reuniu candidatos de 22 estados A aprovação veio após um processo seletivo que começou com 1.759 crianças e chegou à etapa final com cerca de 300 participantes, representantes de 22 estados brasileiros e do Distrito Federal.

Realizada nos dias 16 e 17 de outubro, na sede da escola, em Joinville, a última fase reuniu candidatos interessados em ingressar na formação em dança clássica.  Antes disso, a instituição esteve em Belém, em setembro, para realizar a pré-seleção.

Entre as primeiras avaliações e a divulgação do resultado, o processo durou cerca de um mês e meio. Família acompanhou a preparação

O apoio da família foi parte importante da preparação de Alice. Além dos treinos, os pais ajudaram a menina a lidar com a viagem e a expectativa pelo resultado.

Em 2025, ela já havia participado da seleção e chegado à semifinal, mas não conseguiu a aprovação. Para o pai, Diego Cunha, a experiência anterior ajudou a filha a compreender que seria necessário continuar tentando.

“No primeiro ‘não’, ela não desistiu. Ela queria isso, foi buscar e conseguiu agora, na segunda vez”, afirma.

Com a aprovação, a família começou a organizar os próximos passos para a mudança. Antes de se estabelecer em Santa Catarina, Alice deve participar, em janeiro, de um curso com professores de diferentes regiões do Brasil.

A previsão é que a família se mude para Joinville em fevereiro de 2027, com a organização da moradia e da continuidade dos estudos regulares da menina. Planos para o futuro

Mesmo ainda pequena, Alice já tem um objetivo definido para os próximos anos: tornar-se bailarina profissional. A menina pretende continuar a formação na instituição renomada e também deseja incentivar outras crianças a perseguirem seus objetivos.

Pedro, irmão gêmeo de Alice, acompanhou de perto a dedicação da menina durante a preparação para a seleção nacional (Carmem Helena / O Liberal) “O meu próximo sonho é ser bailarina da Escola do Bolshoi e ser uma bailarina profissional”, diz.

O irmão gêmeo, Pedro Henrique, acompanhou de perto a dedicação da menina durante a preparação e comemora a conquista: “É um motivo de orgulho para mim”. E o que acontece após a aprovação?

Os aprovados passam a integrar a formação de oito anos do Bolshoi no Brasil. Todos recebem bolsas integrais, que garantem acesso gratuito ao ensino técnico em dança e a serviços de apoio, como alimentação, transporte, uniformes, figurinos, assistência social, orientação pedagógica, atendimento odontológico preventivo, acompanhamento fisioterápico e nutricional, além de assistência médica de emergência e urgência pré-hospitalar.

Para a coordenadora da Seleção Nacional da Escola Bolshoi, Sylvana Albuquerque, o processo considera aspectos que vão além da técnica.  “Muitas crianças vêm de realidades diversas, enfrentando desafios que não podemos imaginar.

Elas carregam expectativas, medos e esperanças. Nossa missão é acolhê-las com respeito, empatia e carinho, independentemente de suas origens.

Para muitas, essa pode ser a primeira vez que têm a chance de sonhar e o Bolshoi possibilita que esses sonhos se tornem realidade”, afirma.  

Publicação Original O Liberal oliberal.com
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