Ao menos 35 tiroteios foram registados no Complexo da Penha desde megaoperação

 

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No dia em se completam seis meses da megaoperação Contenção, nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, um relatório do Instituto Fogo Cruzado divulgado aponta o cenário atual na região. Considerada a mais letal da história, a ação em 28 de outubro do ano passado, deixou 122 pessoas mortas, sendo cinco policiais, além de deixar 23 pessoas feridas.

Segundo o Instituto Fogo Cruzado, ao menos 35 tiroteios foram registrados no Complexo da Penha, equivalente a quase seis tiroteios por mês na região.

Desse total, 40% das ocorrências mapeadas foram durante ações e operações policiais. Nos seis meses anteriores à megaoperação, o número de tiroteios na região era praticamente o mesmo: 37 registros.

Ao todo, desde então, 18 pessoas já foram baleadas no Complexo da Penha, sendo metade em ações e operações policiais na região.

O coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado Carlos Nhânga reforça que a megaoperação não pode ser vista como sucesso, e critica a falta de uma plano de segurança que de fato proteja as pessoas.

"Em nenhum lugar do mundo, uma ação do Estado que termina como o que vimos na Penha pode ser considerada um sucesso. Centenas de milhares de cariocas ficaram na linha do tiro, crianças perderam aula, o transporte colapsou. Que planejamento de segurança é esse que permite que a população vive um dia de terror numa cidade que, há anos, convive com a ausência de um plano de segurança e de ações integradas? O problema não é só do Rio de Janeiro. É a ausência de uma política federal coordenada que transforma em repressão pontual em uma estratégia duradoura de segurança pública."

O Fogo Cruzado destacou ainda que a atualização do Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, lançada no ano passado, mostra que o Comando Vermelho é o grupo armado que ocupa o primeiro lugar em controle, com 47,5% dos territórios controlados, ou 150 km².

A Operação Contenção mobilizou 2.500 agentes de segurança das polícias Civil e Militar, do BOPE e do CORE contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo chefes de outros estados escondidos naquela região.

Somente 504 agentes usaram câmeras corporais nessa operação.

Após a entrega dos 9 mil vídeos registrados durante a operação, a Polícia Federal estima que a análise das imagens levará três anos para ser concluída.