Ao menos 17 morrem no Paquistão em atos pró-Irã, incluindo 10 ao tentar invadir consulado dos EUA; Iraque também tem protestos

 

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A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, desencadeou neste domingo protestos e tentativas de invasão a representações diplomáticas dos Estados Unidos no Oriente Médio e no Sul da Ásia. Multidões se concentraram diante de prédios ligados ao governo americano em Karachi, no Paquistão, e em Bagdá, no Iraque, em episódios que deixaram ao menos 17 mortos e ampliaram a tensão regional.

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Em Karachi, centenas de jovens tentaram invadir o consulado dos EUA e foram dispersados com gás lacrimogêneo. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram manifestantes quebrando janelas do edifício principal enquanto a bandeira americana tremulava sobre o complexo, cercado por arame farpado. Segundo o escritório do médico legista da cidade, ao menos 10 pessoas morreram em confronto com agente de segurança no local, e outras 20 ficaram feridas.

Durante o tumulto, alguns participantes gritavam palavras de ordem e falavam em vingança pela morte do líder iraniano. Em uma gravação, um manifestante afirma que o grupo tentava atear fogo ao prédio. Ainda há a expectativa de mais manifestações no consulado ao longo da tarde e da noite de domingo.

Iraquianos, um deles segurando um retrato do líder supremo iraniano assassinado, observam enquanto tentam se aproximar de uma ponte que leva à Zona Verde, onde fica a embaixada dos EUA em Bagdá

AHMAD AL-RUBAYE / AFP

Protestos pró-Irã também foram relatados em outras cidades paquistanesas, incluindo Lahore, segundo maior cidade do país, onde milhares de pessoas ocuparam ruas em atos contra os EUA. Na cidade de Gilgit, no Norte do Paquistão, morreram outras sete pessoas em confrontos com a polícia durante a manifestação, segundo afirmou um responsável dos serviços de resgate, Zaheer Shah, por telefone à AFP.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse na noite de domingo que o assassinato do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi uma "violação do direito internacional".

Tentativa de invasão em Bagdá

No Iraque, centenas de manifestantes se reuniram desde cedo nas proximidades da Zona Verde de Bagdá, área fortemente protegida que abriga prédios do governo e missões diplomáticas estrangeiras, incluindo a embaixada americana. Jornalistas da AFP relataram forte presença de segurança e bloqueios nas entradas da região.

Mesmo assim, grupos tentaram avançar em direção ao complexo diplomático, atirando pedras contra forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo.

Forças de segurança iraquianas observam manifestantes, um deles segurando a bandeira iraniana, tentando se aproximar de uma ponte que leva à Zona Verde, onde fica a embaixada dos EUA, em Bagdá

AHMAD AL-RUBAYE / AFP

Um jovem que se identificou apenas como Ali disse à AFP que a morte de Khamenei “feriu” muitos na região e que o protesto pedia a retirada das tropas americanas estacionadas no Iraque. Segundo uma fonte de segurança ouvida pela agência, as tentativas de invasão haviam sido frustradas até o momento, embora os manifestantes continuassem pressionando as barreiras.

O Iraque, aliado-chave do Irã, decretou neste domingo três dias de luto pela morte de Khamenei. O país abriga grupos pró-Irã, mas também tropas americanas, que neste domingo foram alvo de mísseis e drones. Quatro combatentes de uma organização pró-Irã morreram no centro do país em um ataque atribuído aos EUA e a Israel.

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Escalada após ataques ao Irã

Os protestos ocorrem um dia depois de uma ofensiva militar atribuída a Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. A mídia estatal iraniana confirmou no sábado a morte de Khamenei e anunciou um período de luto nacional de 40 dias.

Horas antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que o líder iraniano estava morto, classificando o episódio como uma oportunidade para que os iranianos “recuperem seu país”. Em mensagens publicadas na rede Truth Social, Trump elogiou a cooperação militar com Israel e prometeu continuar os bombardeios “pelo tempo que for necessário”.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também declarou que havia “fortes indícios” da morte do líder iraniano após um ataque surpresa contra um complexo em Teerã. Segundo ele, a operação atingiu comandantes da Guarda Revolucionária e autoridades do regime.

A ofensiva marcou uma das maiores escaladas militares recentes na região. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades, enquanto o Irã respondeu com ataques de mísseis contra Israel. Países da região fecharam seus espaços aéreos e missões diplomáticas americanas no Golfo orientaram seus cidadãos a buscar abrigo.

Enquanto governos avaliam os desdobramentos militares e políticos, a reação nas ruas de diferentes países indica que a crise pode ganhar novas dimensões nos próximos dias.