Anvisa descarta emergência de saúde em decorrência de furto de vírus na Unicamp; entenda
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) descartou, até o momento, a hipótese de uma emergência de saúde decorrente do furto de pelo menos 24 cepas de diferentes vírus de um laboratório de nível de biossegurança 3 (NB-3), o segundo mais alto, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Saiba quais: Estudo revela que repetições isométricas, sem mover as articulações, aumentam o volume muscular
Último dia de março: Quais objetos devem ser eliminados de casa para renovar a energia antes do fim do mês, segundo o feng shui
“Em que pese o fato de a Anvisa não ser a responsável pela fiscalização de laboratórios de pesquisa científica e experimental, os técnicos da agência não constataram, com base nas informações disponíveis até o momento, a hipótese de emergência de saúde em decorrência desse material”, diz a agência sanitária em nota.
A Anvisa afirma que integrou a ação de buscas pelas amostras a pedido da Polícia Federal na última semana, mas que, como o inquérito corre em sigilo, não pode comentar sobre o andamento das investigações.
Até o momento, a PF aponta a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller, como os suspeitos pelo furto do material biológico. A corporação descartou a hipótese de terrorismo biológico, indicando que motivação seriam pesquisas internas do casal.
Novo estudo: Preocupação com dinheiro envelhece o coração mais rápido que o cigarro
Parte das amostras foi recuperada na FEA e no Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, onde fica o Laboratório de Virologia, local de onde foram furtados os vírus em primeiro lugar. Segundo apuração do Fantástico, da TV Globo, após a PF realizar buscas em sua residência, Soledad retornou à universidade e descartou parte do material biológico na instituição para tentar destruir evidências.
Entre as amostras furtadas, estavam cepas dos vírus da dengue, Zika, chikungunya, Epstein-Barr, herpes e coronavírus. Há patógenos que infectam humanos e animais. O g1 apurou que também foram levados vírus da gripe H1N1 e H3N9.
Colegas da cientista disseram ao GLOBO ser provável que o furto de material tenha ocorrido devido a algum tipo de disputa acadêmica envolvendo Soledad, Michael e Clarice Arns, que é chefe do laboratório do IB de onde as amostras foram subtraídas.
Não é caminhada nem musculação: Novo estudo aponta melhor exercício para dormir bem
Apesar de trabalharem em unidades diferentes, Soledad colaborava em pelo menos três projetos de pesquisa de Arns, listados em seu próprio currículo na plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e a chefe do laboratório também orientava o doutorado de Michael.
As duas cientistas eram parceiras em estudos que envolviam o vírus sincicial respiratório (VSR), o metapneumovírus aviário e o vírus da bronquite infecciosa. Um pesquisador da Unicamp ouvido pelo GLOBO na condição de anonimato disse crer que, pela relação mantida entre as duas, a motivação para o suposto furto teria sido uma "disputa pelo teor da pesquisa".
Soledad também é sócia em um startup de aplicações de microbiologia na pecuária e manipula organismos transgênicos, mas a possibilidade de o material disputado ser direcionado à sua empresa é pequena, disseram as fontes, porque o incidente se limitou ao ambiente do campus da Unicamp.
Em nota, a universidade afirmou que não havia nenhum organismo geneticamente modificado entre as cepas de vírus que foram retiradas do laboratório e alegou que o episódio foi um “caso isolado, resultante de circunstâncias atípicas que estão sendo averiguadas no âmbito da investigação policial”. Uma sindicância também foi instaurada na universidade para averiguação interna.
