Anúncios de Cuba sobre abertura ao investimento 'não são drásticos o suficiente', diz secretário de Estado dos EUA

 

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Os Estados Unidos aumentaram a pressão na terça-feira sobre as autoridades cubanas para que permitam reformas de livre mercado na ilha comunista, enquanto a empobrecida nação tenta se recuperar de um gigantesco apagão nacional. Cuba, que reconheceu estar em negociações com Washington, fez alguns anúncios nesse sentido, como o de permitir que cubanos residentes no exterior possam investir e abrir seus próprios negócios na ilha em diversos setores, incluindo o bancário. Mas o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que "não são suficientemente drásticos" os anúncios.

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— Isso não vai resolver as coisas — acrescentou Rubio a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, onde acompanhava o presidente Donald Trump na recepção do primeiro-ministro irlandês, Michael Martin.

Mais cedo, o ministro cubano do Comércio Exterior, Oscar Pérez-Oliva, disse à rede de TV americana NBC que "Cuba está aberta a manter uma relação comercial fluida com empresas americanas" e "também com cubanos residentes nos Estados Unidos e seus descendentes".

O próprio Trump foi duro na segunda-feira ao afirmar que seria uma "honra tomar Cuba, de alguma forma".

Ao ser questionado sobre os próximos passos em relação à ilha, Trump disse que "eles estão falando com Marco [Rubio], e vamos fazer algo em breve".

Segundo o jornal americano The New York Times, que cita quatro pessoas com conhecimento das conversas entre os dois países, o governo Trump pressiona para que o presidente Miguel Díaz-Canel deixe o poder.

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Pressão crescente

Em meio à pressão de Washington, o governo comunista tenta restabelecer a energia elétrica na ilha. O processo é gradual após um apagão generalizado no contexto de uma grave crise energética que afeta o país, submetido há décadas a um embargo dos Estados Unidos.

Depois do meio-dia local, cerca de 45% das residências de Havana, onde vivem 1,7 milhão de pessoas, voltaram a ter eletricidade, anunciou a empresa estatal de energia UNE.

As autoridades não especificaram até o momento a origem do corte geral ocorrido desde o meio-dia de segunda-feira. Apenas indicaram que não detectaram nenhuma falha na rede.

— O medo é sempre que o apagão se prolongue e que se estrague o pouco que você tem na geladeira, porque tudo está caro — disse à AFP Olga Suárez, uma aposentada de 64 anos, no bairro de Vedado. — De resto, a gente já está acostumado, porque aqui quase sempre você vai dormir e acorda sem luz.

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A geração de eletricidade do país é sustentada por uma rede de usinas termelétricas envelhecidas, algumas com mais de 40 anos de operação.

A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, sofre há mais de dois anos com cortes massivos e recorrentes, às vezes durante vários dias.

No início de março, dois terços do território, incluindo a capital, já haviam sido afetados por um apagão.

Cuba restabelece rede elétrica após novo apagão generalizado

Adalberto Roque/AFP

A economia cubana está quase paralisada desde que o governo Trump interrompeu, em janeiro, os envios de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor, após a derrubada e captura de Nicolás Maduro, e ameaçou sancionar outros países que vendam combustível a Havana.

A situação obrigou o governo de Díaz-Canel a adotar medidas drásticas de economia, incluindo a suspensão da venda de diesel e o racionamento da gasolina, além da redução de alguns serviços hospitalares.

Além da crise energética e da tensão com os Estados Unidos, os cubanos também passaram por um susto nesta terça-feira, quando um terremoto de magnitude 5,8 sacudiu a costa nas primeiras horas do dia. Não houve relatos imediatos de vítimas ou danos.