Anthropic vai à Justiça contra governo americano

 

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A Anthropic processou o Departamento de Defesa dos Estados Unidos por declarar que a gigante de inteligência artificial representava um risco para a cadeia de suprimentos do país, após uma disputa com o Pentágono sobre se a tecnologia seria usada para vigilância em massa e armas totalmente autônomas.

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A startup, sediada em San Francisco, está contestando uma decisão do departamento de transferir seus trabalhos de IA para outros fornecedores, com base em uma classificação de risco normalmente reservada a empresas de países que os EUA consideram adversários.

“Essas ações são sem precedentes e ilegais”, disse a empresa em uma queixa apresentada em um tribunal federal de San Francisco. “A Constituição não permite que o governo use seu enorme poder para punir uma empresa por exercer sua liberdade de expressão protegida.”

Na sexta-feira, a Anthropic já havia prometido contestar judicialmente a decisão do Pentágono.

"Não acreditamos que essa ação seja legalmente sólida e não vemos outra opção a não ser contestá-la nos tribunais", disse o CEO Dario Amodei em uma publicação no blog da empresa na sexta-feira.

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Autoridades de defesa notificaram a empresa na quarta-feira sobre a designação relacionada à cadeia de suprimentos, afirmou Amodei em sua publicação. A medida coloca em risco o contrato de US$ 200 milhões da empresa para fornecer ao Pentágono ferramentas de IA e pode impedir a Anthropic de fazer parcerias com outras empresas em projetos ligados à defesa.

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A decisão foi o resultado de semanas de negociações cada vez mais tensas entre Amodei e autoridades do governo sobre o acesso das Forças Armadas dos EUA à tecnologia da Anthropic. As conversas haviam fracassado depois que a empresa exigiu garantias de que sua IA não seria usada para vigilância em massa de americanos nem para o emprego de armas autônomas, o que levou o secretário de Defesa, Pete Hegseth, a ameaçar a empresa com a designação de risco na cadeia de suprimentos.

Ao anunciar que planejava contestar a medida, Amodei disse que o dispositivo legal invocado — a seção 3252 da lei dos EUA que regula as Forças Armadas — é suficientemente específico para evitar que afete outros negócios da Anthropic que não estejam relacionados a contratos com o Pentágono.

Dario Amodei, CEO da Anthropic

Bloomberg

Isso oferece algum alívio para clientes e investidores que temiam que a empresa pudesse perder a capacidade de fazer qualquer negócio com companhias que trabalham com o Pentágono. Um porta-voz da Microsoft afirmou na última quinta-feira que a empresa concluiu que pode continuar trabalhando com a Anthropic em projetos que não estejam ligados à defesa.

Mesmo assim, a designação significa que a empresa terá de interromper o trabalho com a Palantir Technologies, outra contratada militar. Isso inclui o uso do Claude, da Anthropic, pela Palantir na plataforma digital de controle de missões conhecida como Maven Smart System, que foi empregada na campanha militar dos Estados Unidos no Irã.

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A decisão do Pentágono também ameaça desacelerar esforços mais amplos para acelerar a adoção de IA em todo o Exército dos Estados Unidos. Até recentemente, a Anthropic fornecia o único sistema de IA que podia operar na nuvem classificada do Pentágono, e sua ferramenta Claude Gov tornou-se uma opção preferida entre o pessoal de defesa por sua facilidade de uso.

A Anthropic também está se preparando para perder trabalhos em agências civis, após a exigência do presidente Donald Trump na semana passada de que o governo federal deixasse de contratar a empresa. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e Administração de Serviços Gerais já anunciaram a intenção de interromper negócios com a companhia.

Em uma publicação na quinta-feira, Dario Amodei disse que vinha mantendo discussões contínuas com o Pentágono nos últimos dias, que ele considerou “produtivas”, sobre como lidar com as preocupações da empresa em relação às salvaguardas da IA. Ele afirmou que a Anthropic pretende continuar fornecendo seus produtos às Forças Armadas enquanto isso for permitido.

No entanto, Emil Michael, subsecretário de Defesa para pesquisa e engenharia, que vinha negociando com Amodei nas últimas semanas, disse em uma postagem no X na noite de quinta-feira que não havia mais discussões.

“Quero encerrar toda especulação: não há nenhuma negociação ativa do @DeptofWar com @AnthropicAI”, escreveu.

Perspectivas incertas

Agora avaliada em US$ 380 bilhões, a Anthropic está a caminho de gerar uma receita anual de quase US$ 20 bilhões, mais que dobrando seu ritmo de crescimento desde o fim do ano passado. A disputa com o Pentágono, porém, tornou as perspectivas da empresa mais incertas.

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Aplicar um rótulo de risco de cadeia de suprimentos a uma empresa americana seria algo sem precedentes e iria além do escopo da lei, segundo Charlie Bullock, pesquisador sênior do Institute for Law & AI.

— Essa não é uma autoridade destinada a destruir grandes empresas americanas que tenham um desacordo contratual com o governo dos Estados Unidos — disse ele. —É uma autoridade destinada a lidar com espionagem de empresas chinesas e coisas desse tipo.

Reconhecendo o tom amargo das negociações, Amodei pediu desculpas por comentários em um memorando interno que vieram a público na quarta-feira. No documento, divulgado pelo The Information, Amodei acusou a rival OpenAI de agir de forma oportunista e de sacrificar salvaguardas em um acordo com o Pentágono anunciado pelo CEO Sam Altman horas depois de Trump e Hegseth ordenarem o fim das relações do governo dos EUA com a Anthropic.

No memorando, Amodei também escreveu que acredita que o verdadeiro motivo de a administração não gostar da Anthropic é o fato de a empresa não ter feito doações para Trump, não ter apoiado suas políticas de IA nem lhe dado “elogios ao estilo de ditador”.

Na quinta-feira, Amodei afirmou que “a Anthropic não vazou essa publicação nem orientou ninguém a fazê-lo”.

— Não é do nosso interesse escalar a situação — disse ele, acrescentando que o texto foi escrito poucas horas após publicações de Trump e Hegseth, além do anúncio da OpenAI. — Foi um dia difícil para a empresa, e peço desculpas pelo tom da publicação.

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