A startup de inteligência artificial sediada nos EUA, Anthropic, revelou nesta quarta-feira (23) a primeira descoberta de seu laboratório de biologia molecular: um sistema enzimático até então desconhecido, detectado por seu modelo Claude, que a empresa apresentou como prova de que a IA pode acelerar a pesquisa básica. Veja também: Cofundador da Nike doa mais de R$ 5 bilhões a universidade em que estudou nos EUA E mais: Na ONU, Sam Altman e Dario Amodei pedem cooperação global para reduzir riscos da IA Sistemas enzimáticos encontrados na natureza levaram a algumas das maiores descobertas da biologia, desde as ferramentas que impulsionaram a indústria da biotecnologia até o método de replicação de DNA por trás de muitos testes médicos. De acordo com a Anthropic, cerca de 950 agentes de software, impulsionados pelo modelo Claude, analisaram um banco de dados de sequências de DNA durante 21 horas. Os agentes encontraram mais de 200 mil genes de um tipo de enzima e selecionaram 20 que mereciam análises adicionais, uma tarefa que levaria semanas ou até meses para um cientista experiente. A Anthropic afirmou que a participação de seus pesquisadores se limitou a instruções iniciais e experimentos em laboratório, enquanto os agentes de IA trabalharam de forma autônoma para decidir quais pistas seguir. Os irmãos Dario Amodei e Daniela Amodei, cofundadores da Anthropic David Paul Morris/Bloomberg Um dos agentes detectou algo nos vírus que infectam bactérias que os cientistas aparentemente haviam ignorado: uma sequência de pequenos fragmentos de DNA repetidos, localizados próximos a dois genes, um para uma enzima conhecida e o outro para uma proteína misteriosa. A configuração se assemelha ao CRISPR, um sistema de defesa natural em bactérias que os cientistas reaproveitaram como uma ferramenta de edição genética, agora utilizada na medicina. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, que recentemente pediu a suspensão do desenvolvimento de IA devido aos seus riscos, mencionou a descoberta na quarta-feira, em seu discurso ao Conselho de Segurança da ONU, realizado por videoconferência. A descoberta é "preliminar", disse ele, mas "pode constituir um novo mecanismo de edição genética com aplicações em terapia gênica". Amodei previu "avanços profundos em um futuro próximo no tratamento de doenças que afligem a humanidade há milênios". A função do sistema recém-identificado, denominado ART, permanece desconhecida, observou a Anthropic. A empresa acrescentou que seus experimentos iniciais sugerem que o sistema pode ser, assim como o CRISPR, programável. Os resultados ainda não foram revisados por pares Amodei também observou no X que uma equipe da Universidade Stanford descreveu, de forma independente, um sistema comparável, porém distinto. A equipe do laboratório Anthropic trabalha na região da Baía de São Francisco e não manipula patógenos capazes de infectar humanos. "Todos os experimentos são conduzidos por cientistas humanos", afirmou a Anthropic. Amodei não descartou a possibilidade de que o Claude possa eventualmente operar os equipamentos de laboratório pessoalmente, com as devidas precauções.
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Anthropic apresenta a primeira descoberta feita por IA em seu laboratório biológico
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O Globo
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