Antes tarde do que nunca: governo promete apresentar custo de políticas de crédito subsidiado - QTU Questões do Universo

Antes tarde do que nunca: governo promete apresentar custo de políticas de crédito subsidiado

Fonte: Bandeira da fonte

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, anunciou que o Orçamento de 2027 deve conter um anexo com os custos das políticas de crédito subsidiado, que têm crescente uso do governo, ao mesmo tempo em que são cada vez mais questionadas pelo mercado financeiro.

Em evento do banco BTG, Moretti reforçou a leitura de que essas medidas “parafiscais”, que usam recursos financeiros do orçamento público, não geram um impulso tão forte no lado da demanda na economia e não contradizem a política monetária do Banco Central.
A tese até agora não convenceu a maioria dos analistas do mercado.

O anúncio de que o governo explicitará suas contas de impacto dessas medidas é bem-vindo, embora ainda seja preciso ver o que efetivamente estará apresentado.
Além disso, seria bom se o governo passasse a divulgar com frequência os impactos e os dados de suas despesas financeiras, algo que fica escondido em uma miríade de dados orçamentários sem organização.

Como O GLOBO mostrou nesse mês, contas da consultoria BRCG mostram que no primeiro semestre as despesas financeiras, que englobam esses programas de crédito, somaram R$ 149 bilhões no primeiro semestre, volume equivalente a quase todo o verificado no ano passado.

Tanto Moretti como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçaram ao público da Faria Lima, a praça financeira de São Paulo, que o governo pretende reforçar o lado fiscal no próximo mandato, com superávits primários crescentes e maior contenção nas despesas obrigatórias.
Mas seguiram a lógica de evitar detalhes de como isso será feito, para fugir do risco de problemas nas eleições.

A estratégia, aliás, foi seguida também pelo senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, que prometeu reforçar o fiscal, mas disse, fortemente aplaudido pelos presentes, que o principal ajuste seria retirar o PT do poder.