Antes de ser alvo da PF, Ciro Nogueira disse que abriria mão do mandato se surgisse denúncia comprovada

 

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Alvo de buscas da Polícia Federal nesta quinta-feira no âmbito da investigação sobre o Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou em 16 de março que abriria mão do mandato caso houvesse “alguma denúncia comprovada” contra ele relacionada ao caso.

A declaração foi dada durante agenda no Piauí, onde o presidente nacional do PP participou do lançamento da pré-candidatura de Joel Rodrigues ao governo do estado, em meio ao avanço das revelações sobre a relação entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Na ocasião, já haviam sido divulgadas mensagens em que Vorcaro tratava Ciro como “amigo da vida” e relatava encontros e conversas com o senador.

Ao comentar o caso, Ciro tentou separar sua trajetória política das investigações contra o banqueiro.

— O CPF dele é um, o meu é outro. O que vai nortear a minha trajetória de vida é a minha história — afirmou.

Em seguida, elevou o tom ao falar sobre a possibilidade de ser implicado formalmente nas investigações.

— Se surgir algum dia na vida alguma denúncia que seja comprovada, eu, enquanto senador Ciro, renuncio ao meu mandato. Eu jamais vou voltar ao meu estado, olhar o povo da minha terra olho no olho, se eu não tiver autoridade e a confiança desse povo — disse.

Nesta quinta-feira, Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master. Na decisão que autorizou a operação, Mendonça afirma que investigadores apontam o senador como suposto “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao banco.

Entre os elementos citados pela Polícia Federal está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), proposta apelidada nos bastidores do Senado de “emenda Master”. Segundo a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto foi elaborado dentro do banco e encaminhado ao senador. Em uma das conversas citadas na investigação, o banqueiro Daniel Vorcaro comemora a apresentação da proposta afirmando: “Saiu exatamente como mandei”.

A emenda ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC, mecanismo que garante parte dos investimentos em caso de quebra de instituições financeiras. A proposta não chegou a ser aprovada.