Antes de julgamento histórico, Meta disparou comerciais na TV sobre segurança de adolescentes em suas redes

 

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A Meta , proprietária do Instagram, pagou por milhares de comerciais de televisão para promover seu trabalho em segurança com adolescentes antes de um julgamento histórico com júri, iniciado ontem, que vai examinar se a empresa cria produtos deliberadamente para viciar crianças nas redes sociais.

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Os anúncios têm aparecido em transmissões ao vivo em redes nacionais, incluindo CNN, Fox e ABC, nos últimos meses, sendo exibidos mais de 3.500 vezes desde novembro, segundo dados públicos coletados pelo Tech Oversight Project, uma organização de fiscalização das grandes empresas de tecnologia.

Os anúncios promovem as contas para adolescentes do Instagram, que limitam os contatos e as configurações de conteúdo de usuários nessa faixa etária.

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Após interromper temporariamente os anúncios em janeiro, a Meta retomou a campanha antes do julgamento sobre vício em adolescentes, que começou nesta semana em Los Angeles. Junto com o YouTube, do Google, a Meta enfrenta acusações de que seus produtos foram projetados para manter jovens rolando a tela — alegações que têm sido comparadas ao julgamento das grandes empresas de tabaco pelo vício dos consumidores, há três décadas.

Anúncios de televisão nessa escala podem custar centenas de milhares de dólares, segundo a empresa de publicidade AdImpact. Os anúncios, que também apareceram em estações locais menores além das transmissões nacionais, têm um preço mais alto porque os espectadores não conseguem pular os comerciais.

Dados da AdImpact mostram que a Meta gastou quase US$ 700 mil em apenas um dos anúncios voltados a adolescentes, que acumulou 6,5 milhões de impressões desde abril do ano passado.

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A Meta se recusou a divulgar quanto gasta promovendo as contas para adolescentes, mas um porta-voz afirmou que a empresa vem anunciando esse recurso desde seu lançamento, em setembro de 2024. “Centenas de milhões de adolescentes em todo o mundo usam contas para adolescentes”, disse a Meta em comunicado. “Desde o lançamento, os adolescentes passaram a ver menos conteúdo sensível, tiveram menos contatos indesejados e passaram menos tempo no Instagram durante a noite.”

A Meta e outras empresas do setor têm sido alvo de escrutínio por uma suposta falha em proteger jovens on-line, e seus algoritmos têm sido apontados como responsáveis por causar problemas de saúde mental em adolescentes. O julgamento histórico em Los Angeles servirá como um teste crucial para milhares de processos semelhantes que ainda aguardam decisão em todo o país.

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Após anos de críticas, o julgamento começou oficialmente na segunda-feira, com advogados de ambos os lados apresentando suas declarações iniciais. O advogado do autor da ação, Mark Lanier, disse aos jurados que as plataformas de redes sociais usaram “a ciência do cérebro humano” para viciar crianças pequenas nessas plataformas. “Meus especialistas vão comparar isso à construção de um cavalo de Troia”, afirmou Lanier.

O momento da campanha publicitária da Meta levou alguns a concluir que a empresa está tentando se antecipar a uma possível reação negativa.

“A publicidade é sempre um veículo para ajudar essas marcas a tentar mudar sua imagem ou persuadir o público a pensar mais nas coisas que elas fizeram bem diante de um possível escrutínio”, disse Don Norton, gerente geral de soluções de dados da AdImpact.

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A diretora-executiva do Tech Oversight Project, Sacha Haworth, disse acreditar que a campanha da Meta é “cem por cento uma jogada de influência”, destinada a atingir estrategicamente áreas geográficas sensíveis, incluindo Los Angeles e Washington, na tentativa de influenciar possíveis jurados e políticos. Haworth também disse ter visto outdoors físicos e anúncios em meios de transporte nas regiões-alvo.

“De modo geral, a Meta adota uma abordagem muito mais agressiva em suas relações públicas”, afirmou Haworth. Os anúncios fazem parte de um esforço para “reabilitar sua imagem antes de um julgamento que eles sabem que será muito, muito prejudicial para eles, para a empresa e para a marca”.

Líderes proeminentes das empresas, incluindo Mark Zuckerberg, da Meta, e Neal Mohan, do YouTube, devem depor durante o julgamento. A Meta já havia defendido suas plataformas, argumentando que os processos atribuem culpa excessiva às empresas de redes sociais, afirmando que essa responsabilização “simplifica demais uma questão séria” relacionada ao bem-estar mental de adolescentes.

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