Antes das influenciadoras: conheça as capas da Playboy mais vendidas e icônicas da história do Brasil
Muito antes de curtidas, algoritmos e influenciadoras dominarem a internet, a Playboy Brasil já determinava quem eram as mulheres mais desejadas do país. Estampar a capa da revista significava virar assunto nacional praticamente da noite para o dia. Nos anos 1990 e no início dos 2000, algumas edições ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos e ajudaram a transformar personagens da televisão em símbolos sexuais de uma geração.
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A edição mais vendida da história da Playboy brasileira continua sendo a de Joana Prado como Feiticeira, lançada em dezembro de 1999. A revista superou 1,2 milhão de exemplares vendidos e virou um fenômeno no auge do "Programa H", de Luciano Huck. Com máscara, roupas de couro e estética fetichista, a personagem se consolidou como um dos maiores ícones eróticos da televisão brasileira.
Poucos meses antes, Suzana Alves já havia provocado impacto semelhante com Tiazinha. Também com mais de 1,2 milhão de exemplares vendidos, a personagem de máscara, lingerie e chicote consolidou a era das musas da TV aberta nos anos 1990. Em muitas cidades, as revistas desapareciam das bancas no mesmo dia.
Para o jornalista Cacau Oliver, especialista em branding digital, o sucesso dessas capas aconteceu porque a Playboy soube transformar figuras televisivas em fantasia coletiva. "A revista criava personagens que ultrapassavam a fama e viravam referência de desejo para uma geração inteira. Feiticeira e Tiazinha não eram apenas mulheres bonitas; eram personagens construídas para provocar fantasia e curiosidade o tempo inteiro", analisa.
Outra edição histórica foi a de Adriane Galisteu, lançada em agosto de 1995. O ensaio, fotografado na Grécia pouco depois da morte de Ayrton Senna, vendeu mais de 960 mil exemplares e reuniu sensualidade, curiosidade pública e comoção nacional. O país ainda acompanhava intensamente a relação entre o piloto e a artista, o que transformou a publicação em um acontecimento. A famosa foto da gilete se tornou uma das imagens mais comentadas da história da revista e ajudou a consolidar a apresentadora como um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira.
Já nos anos 2000, Kelly Key representou a virada da Playboy para a estética pop sensual adolescente. A cantora vendeu cerca de 700 mil exemplares e virou símbolo de uma nova cultura pop feminina, ligada a videoclipes, música e à sensualidade comercial que começava a dominar televisão e rádio naquela década.
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O fenômeno do axé também teve papel central na era de ouro da publicação. Scheila Carvalho, então "morena do Tchan", estrelou uma das edições mais vendidas da Playboy ao ultrapassar 845 mil exemplares comercializados. A revista ajudou a elevar dançarinas de grupos musicais ao posto de símbolos sexuais nacionais em um período em que televisão, carnaval e música popular dominavam o imaginário brasileiro.
Para Cacau, a Playboy brasileira construiu um impacto cultural que hoje seria praticamente impossível de repetir.
"Essas capas não vendiam apenas nudez. Vendiam fantasia, comportamento e desejo em uma época em que a televisão aberta definia praticamente tudo o que virava assunto no país. A Playboy entendia como transformar uma mulher famosa em obsessão coletiva", conclui.
