ANP: Preços dos combustíveis têm alta pela quarta semana seguida

 

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Levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostra que os preços dos combustíveis subiram nos postos pela quarta semana seguida. O aumento ocorre em meio a uma força-tarefa do governo para fiscalizar os valores cobrados aos consumidores nas bombas.

Segundo a ANP, o preço médio da gasolina passou de R$ 6,65 para R$ 6,78 por litro nesta semana, na quarta alta consecutiva — um avanço de 1,96%. No diesel subiu 2,62%, de R$ 7,26 para R$ 7,45 por litro também pela quarta semana . O aumento é reflexo da escalada do conflito no Irã, que elevou o preço do petróleo para acima de US$ 100 por barril.

Nesta sexta-feira, a Polícia Federal (PF) deflagrou a “Operação Vem Diesel”, com foco na fiscalização de postos de combustíveis em onze estados e no Distrito Federal. A suspeita é de crimes contra a ordem tributária, econômica ou contra as relações de consumo.

As ações de fiscalização por equipes da PF, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), da ANP e dos Procons estaduais ocorreram, além do DF, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraíba, Ceará, Tocantins e Goiás.

Nesta semana, o cenário de restrição de diesel se agravou em diversos estados do país. Importadores e representantes dos postos alegam que estão com dificuldade de importar combustíveis por conta da demanda no cenário internacional após a intensificação do conflito no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.

Para especialistas, com a alta do petróleo no mercado internacional, os importadores estão reduzindo ainda mais as compras de combustíveis no exterior diante das incertezas com a cotação e do receio de não conseguirem vender no Brasil, devido aos preços mais baixos praticados pela Petrobras. Hoje, segundo a Abicom, a Petrobras vende o diesel 73% abaixo do mercado internacional. A diferença chega a R$ 2,62 por litro. No caso da gasolina, a defasagem é de 53% — ou seja, R$ 1,33 a menos do que no exterior.

Fontes do setor já vinham alertando, desde segunda-feira, para o baixo volume de pedidos de importação para o mês de abril. Segundo uma fonte, o line-up de pedidos, que costuma ser de 1,5 milhão de metros cúbicos (1,5 bilhão de litros), em média por mês, estava em torno de 400 mil metros cúbicos (400 milhões de litros) para entrega em abril.

Com isso, a estatal informou ontem a ampliação da oferta de produtos para seus clientes no mês de abril. De acordo com a empresa, o aumento chega a 70 mil metros cúbicos (70 milhões de litros) de diesel S10, o que representa 2% do volume médio entregue por mês. Foram ainda ampliados em 95 mil metros cúbicos (95 milhões de litros) os volumes de gasolina para as distribuidoras, o que soma 5% do total entregue mensalmente. Valores que, segundo especialistas, são baixos.

Na semana passada, a ANP determinou diversas medidas para intensificar o monitoramento de estoques e importações e prevenir possíveis problemas futuros de abastecimento. Entre as iniciativas, o órgão regulador determinou que a estatal apresente informações discriminadas sobre as importações previstas, produtos a serem ofertados, preços de compra e venda, locais de internalização, datas de chegada dos navios, nomes das embarcações e demais informações pertinentes, de forma a aumentar a previsibilidade do setor.

Nesta sexta-feira, medidas para conter a alta do diesel estão sendo discutidas no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que é composto por secretários de finanças dos estados e presidido pelo Ministério da Fazenda. O governo já zerou o PIS/Cofins do diesel, que responde por 12% do preço final, mas sem efeitos na bomba, já que a Petrobras elevou o valor do diesel às distribuidoras.