Anitta diz que vive fase mais serena e desacelerada: 'Não dá para viver com bengalas como bebida e remédios'

Anitta diz que vive fase mais serena e desacelerada: 'Não dá para viver com bengalas como bebida e remédios' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Voz suave, pausas p mostram uma Anitta bem diferente das que entrevistei em 2016, 2017, 2018, 2022 e 2023. A agenda de Anitta, nova rainha de bateria da Grande Rio, segue frenética, mas a regência agora é outra: calma, serena. “Equilibrivm” puro, como o álbum da turnê que terminou sábado passado, em Salvador, depois de hipnotizar Porto Alegre, São Paulo, Fortaleza e Niterói. A voz é suave, e ela faz pausas para respirar e tem escuta atenta (às perguntas e ao fluxo de consciência que gera respostas) durante esta entrevista. “Aprendi a respirar e a desacelerar para não adoecer”, diz Anitta. “Não dá para viver com bengalas como bebida e remédios”, emenda a cantora de 33 anos, em sintonia com o prefácio que assina em “Musculatura da alma”, livro da terapeuta integrativa Max Tovar, sua guru na busca por propósito, saúde mental e conexão com o que faz bem. Capa Walério Araújo, top Rolling, hotpants Joulik e pulseiras Yar André Nicolau Na jornada de autoconhecimento da artista, não seria exagero dizer que a malandra de Honório Gurgel “saiu do armário” do candomblé, fez da fé um manifesto musical contra a intolerância religiosa e mostrou que facetas opostas de Anitta e Larissa (seu nome de batismo) podem conviver em harmonia, tal qual o sagrado e o profano, a paz e o agito. Você sempre foi estrategista, com um propósito claro para cada trabalho. Imaginou que “EquilibriVm” faria todo esse barulho? Sim, porque era um desejo. Outro dia vi um vídeo dizendo que minha carreira é um ato político em diversos aspectos. E ela é, não em termos de “votar em fulano ou beltrano”, mas no sentido de movimentar o comportamento da sociedade. Ter orgulho da própria fé e da favela, lutar contra o preconceito, a intolerância, o machismo e a misoginia. Minha meta era tocar o coração das pessoas, fazer uma revolução. Fiquei realizada ao ver que entenderam a mensagem. Isso é bastante significativo e me emociona. Headpiece Walério Araújo, top Rolling, hotpants Joulik, pulseiras Yar e óculos Kozze André Nicolau Esse trabalho nasceu em um momento em que estava fisicamente esgotada. Quando percebeu que não queria mais viver assim? A gente normaliza coisas. Tomar remédios, uma cervejinha para “desproblematizar”. Claro que eu bebo, tomo um remédio de vez em quando, mas é esporádico e não uma bengala. Usava muitas bengalas no meu dia a dia, não era normal. Também estava mal de saúde, e percebi que precisava respirar, desacelerar. Só que o corpo não vai desacelerar nunca se a mente não fizer isso primeiro. Sua relação com a terapeuta Max Tovar ajudou? Foi na mesma época em que fez o santo? Não. Fiz o santo (processo de iniciação espiritual nas religiões de matriz afro-brasileira) há sete anos, e minha relação com a Max tem pouco mais de quatro. São práticas com lugares e propósitos diferentes. A Max e a equipe dela fazem trabalhos de terapias intensivas, para que você mesma as coloque em prática, exercite a busca do que te faz bem. Hoje consigo me analisar, buscar meu caminho, ser minha própria guru.

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