Anistia Internacional manifesta indignação após absolvição de PMs acusados de matar adolescente na Cidade de Deus
A Anistia Internacional Brasil, organização de mobilização por justiça social, emitiu uma nota em que manifesta indignação diante da absolvição dos policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal, acusados do homicídio qualificado do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, no dia 7 de agosto de 2023.
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O adolescente foi morto durante uma operação na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste do Rio. Além da absolvição pela morte de Thiago Menezes, os policiais militares também foram inocentados da tentativa de homicídio de Marcos Vinicius de Souza Queiroz, que levou um tiro numa das mãos. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira, após dois dias de julgamento.
“Além da dor da perda e da absolvição, chamou atenção durante o júri o deslocamento do foco do julgamento. Em vez de se concentrar nas circunstâncias da morte e na conduta dos acusados, houve tentativas reiteradas de questionar a vida e a memória de Thiago, associando sua imagem à criminalidade como forma de justificar sua execução. Essa inversão, que transforma a vítima em alvo de julgamento, desvia o debate do que está em análise e fere o direito à memória, à verdade e à justiça. Quando o foco do júri se desloca para a vida da vítima, e não para a conduta dos acusados, há uma inversão grave”, destaca a organização.
Ainda na nota, a Anistia afirma que “questionar a trajetória” de Thiago não contribui para a justiça, mas sim “perpetua violência e atinge seu direito à memória e à dignidade”. Além disso, destaca a dor de mães que passam por esse tipo de tragédia, especialmente mulheres negras, moradoras de territórios vulnerabilizados pela violência policial, e mães de vítimas da violência do Estado.
“A história de Thiago é o retrato de uma realidade que atinge de forma desproporcional crianças e jovens negros no Brasil, em um contexto de política de segurança pública marcada por práticas violentas e racistas”, diz o texto.
No posicionamento, a organização destaca dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que apontam ao menos 56.396 vítimas em ocorrências classificadas como homicídios por intervenção policial entre 2015 e agosto de 2025. Desse total, 82,7% eram negras e 71,7% jovens.
“Todas essas mortes poderiam ser evitadas com uma política de segurança pública que colocasse a vida no centro de sua atuação. É urgente interromper a lógica de militarização e a narrativa de 'guerra às drogas', além de garantir a responsabilização criminal, administrativa e cível de todos os agentes do Estado envolvidos em operações letais”.
A organização considera a absolvição dos policiais militares uma “derrota na luta por justiça, memória e reparação”. Além de manifestar indignação, também presta solidariedade à família de Thiago.
“Histórias como a dele não deveriam existir e nossa luta é para que casos como este não mais se repitam”, conclui a nota.
Família inconsolável
A família do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, morto em operação na Cidade de Deus está inconsolável após absolvição de dois policiais militaresf
@rafaelhbrit / Rio de Paz
A organização Rio de Paz também lamentou a absolvição dos policiais militares. Nas redes sociais, uma publicação mostra fotos de Priscilla, mãe de Thiago Flausino, inconsolável após a decisão, além do pai do adolescente, Diogo, e de parentes e amigos da família.
“O caso, que comoveu o Brasil inteiro devido à violência e à perda irreparável de uma vida jovem, deixou clara a luta contínua por justiça e por respostas em relação à atuação da polícia nas comunidades. A absolvição dos acusados levanta ainda mais questionamentos sobre a responsabilidade do Estado e o tratamento dado às vítimas de violência policial”, escreveram na publicação.
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