Animal surpreende com flashes que lembram luzes de discoteca

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Amêijoa-disco (Ctenoides ales)Kai Squires/iNaturalist Com movimentos rápidos que produzem flashes parecidos com luzes de uma discoteca, a amêijoa-disco (Ctenoides ales) chama a atenção de mergulhadores em recifes de coral das águas tropicais do Indo-Pacífico.Também conhecida como amêijoa-elétrica, a espécie tem uma estrutura avermelhada ao redor do corpo chamada manto. É nessa região que aparecem os flashes que dão o apelido de amêijoa-disco.Apesar da aparência, o animal não produz luz própria. A borda do manto tem células ricas em sílica, um material que reflete a luz com intensidade. Ao movimentar esse tecido, o molusco alterna rapidamente entre mostrar e esconder essas células. O resultado são clarões que lembram luzes piscando.O fenômeno é diferente da bioluminescência, que acontece quando um ser vivo produz a própria luz com processos naturais. No caso da amêijoa-disco, os flashes dependem da luz que chega ao animal e é refletida por seu corpo.Em entrevista à revista Science News, a pesquisadora Lindsey Dougherty descreveu o efeito como “muito vívido e muito dramático”.Amêijoa-disco (Ctenoides ales)Bernard DUPONT/Flickr Flashes ajudam a afastar predadoresOs movimentos luminosos podem funcionar como uma forma de defesa. Segundo o Museu de História Natural da Universidade do Colorado em Boulder, a combinação entre a cor avermelhada e os flashes pode servir de aviso para animais que tentam comer o molusco.Um de seus predadores é o camarão-louva-a-deus, que consegue quebrar conchas com seus golpes. Como esse crustáceo tem uma visão sensível, pode ser afetado pelos flashes produzidos pela amêijoa-disco.Em testes feitos em laboratório, Dougherty ainda observou que os animais lançavam um muco ácido contra os camarões-louva-a-deus. No experimento, a substância deixava os crustáceos incapacitados por até 15 minutos.A pesquisadora também descobriu que a parte avermelhada do manto tem uma composição química diferente das regiões sem cor. Algumas substâncias presentes nesse tecido podem tornar o animal menos atraente ou desagradável ao paladar dos predadores. Ainda não se sabe exatamente como esses compostos funcionam.VEJA MAIS: Animal parece coelho fofo, mas vive no fundo do mar e tem venenoPor que o animal pisca até no escuro?O animal vive em áreas pouco iluminadas, como fendas e cavidades nos recifes de coral, e pode ser encontrado a até 50 metros de profundidade.Isso chama a atenção dos pesquisadores porque os clarões dependem da reflexão da luz. Mesmo assim, Dougherty observou que os moluscos continuam movimentando o manto durante a noite, quando há pouca luz disponível.Uma das hipóteses é que os flashes ajudem a atrair animais jovens que ficam soltos na água antes de se fixarem em algum lugar. Durante visitas a esses ambientes, a pesquisadora encontrou mais de um exemplar adulto em cerca de metade das cavidades examinadas. Ainda não se sabe se os filhotes conseguem enxergar os sinais luminosos.Outra possibilidade é que os flashes atraiam pequenos organismos aquáticos que servem de alimento para o molusco. À Science News, Dougherty comparou a exibição a uma placa luminosa de restaurante, como se o animal anunciasse que há comida disponível.Reprodução depende da oferta de alimentoA amêijoa-disco se reproduz liberando células reprodutivas na água. Quando essas células se encontram, ocorre a fecundação, dando início ao desenvolvimento dos filhotes.A sobrevivência dos animais jovens depende, entre outros fatores, da quantidade de plâncton disponível. Esses pequenos organismos são a principal fonte de alimento da espécie. Quando há pouco plâncton, poucos filhotes conseguem sobreviver.O aumento da temperatura dos oceanos também preocupa os pesquisadores. Segundo o Museu de História Natural da Universidade do Colorado em Boulder, a amêijoa-disco está entre os animais cujas populações vêm diminuindo em meio às mudanças que afetam os ambientes de recifes de coral.

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