O mercado brasileiro de veículos voltará a passar de 3 milhões de unidades este ano. Isso não acontecia há 12 anos.
A diferença é que os fabricantes instalados no país dominaram as vendas durante quase toda a década passada. Agora, um mercado do mesmo tamanho tem de ser dividido com os importadores, chineses na maioria.
A Anfavea ampliou sua projeção de aumento de vendas de veículos em 2026 de 12,1% para 15,2%, totalizando 3,09 milhões de veículos. Em 2014, foram vendidos no país 3,49 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus.
Para este ano, a estimativa é chegar perto de 3,1 milhões. Esse total é o resultado de uma nova projeção, apresentada nesta quarta-feira, 6, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O recorde de vendas foi em 2012, quando foram comercializados 3,8 milhões de veículos, o maior volume da história da indústria automobilística no país, que começou no fim da década de 1950. De 2015 em diante, o mercado brasileiro nunca voltou a alcançar 3 milhões de unidades.
O auge de vendas naquele momento estimulou investimentos que levaram o setor a construir novas fábricas. Como os números desde então foram sempre menores, o resultado foi um excesso de capacidade, que prevalece até hoje.
O parque fabril brasileiro tem espaço hoje para produzir 4,6 milhões de veículos. No caso da produção, no entanto, não será neste ano que a marca de 3 milhões voltará a ser alcançada.
A última vez foi em 2014, com 3,15 milhões. O recorde foi também em 2013 (3,71 milhões de unidades).
Embora a Anfavea tenha aumentado ligeiramente a projeção de produção em relação à projeção de junho, o volume ainda ficará distante dos picos de 12 e 13 anos atrás. A expectativa da entidade é que 2,82 milhões de unidades deixem as linhas de montagem este ano, um crescimento de 6,7% em relação a 2025.
A projeção anterior era de 5,8%. Em parte, a produção crescerá menos do que o mercado interno em razão do avanço de importados.
E também pela queda das exportações, provocada pela perda de competitividade nos mercados vizinhos, para onde os chineses também avançam. Os volumes de exportação também foram revisados.
No caso, para baixo. Há quatro meses, a Anfavea calculava uma queda de 12,9% no total vendido ao exterior.
Mas o ritmo nos últimos meses mostrou que os volumes serão menores e agora a entidade estima recuo de 17,7%, com previsão de embarcar 435 mil veículos. O auge da exportação da indústria automobilística no Brasil foi em 2005, quando foram embarcadas 897,1 mil unidades.
Ao apresentar as novas estimativas, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, disse que o período eleitoral nada tem a ver as projeções. “As revisões foram feitas de forma técnica”, disse.
“A Anfavea trabalha com qualquer governo eleito”, completou. As vendas acumuladas no ano alcançaram 2,2 milhões de unidades, alta de 18,1% em comparação com o mesmo período de 2025.
Já a produção subiu 8,7 % para 2,17 milhões de veículos no acumulado do ano. Pixabay
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