Análise: virada sobre o Santos faz o Fluminense de Zubeldía aliviar a crise e ganhar confiança para retomar o alto nível
"Ganhar era a nossa única opção". Foi com essa mentalidade que o técnico Luis Zubeldía voltou a vencer após quatro jogos e aliviou a crise no clube — a semana passada foi marcada por protestos da torcida no CT e em Laranjeiras. Apesar de ficar atrás no placar duas vezes após falhas de Alisson e Jemmes, o tricolor teve controle emocional para vencer por 3 a 2, de virada, o Santos, ontem, na Vila Belmiro, pelo Brasileiro, subindo para terceiro na tabela.
Na ausência de Lucho Acosta — lesão no joelho esquerdo —, Zubeldía chegou a usar Ganso e Savarino juntos, mas, desta vez, preferiu escalar apenas o venezuelano aberto pela ponta direita, enquanto Serna ocupou o outro lado. Quem se beneficiou da nova formação com três volantes foi Alisson, que começou jogando pela primeira vez ao lado de Bernal e Hércules.
Apesar do voto de confiança do treinador, com quem trabalhou no São Paulo, Alisson pagou caro por um erro na saída de bola no início da partida. Após receber passe de Bernal, o camisa 25 ficou pressionado, mas girou para o lado errado em vez de devolver para o uruguaio e viu Arão acionar Neymar, que errou o drible, mas a bola sobrou para Gabigol abrir o placar com um chute forte de perna trocada (direita).
O Fluminense sentiu o golpe ao sair atrás nos primeiros minutos. Com os nervos à flor da pele, Bernal e Freytes discutiram feio por conta de uma discordância no posicionamento. Se o sistema defensivo gerava contra-ataques "de graça" ao Santos, o ataque deixava a desejar na criatividade até então. Mas nada que o talento individual não resolva.
Em um lance despretencioso, Savarino aproveitou a passividade da marcação para carregar a bola e marcar um golaço de fora da área — o seu terceiro pelo tricolor. Desde então, a equipe, enfim, entrou no jogo e passou a trocar passes com mais tranquilidade. Com liberdade de movimentação, o meia não só balançou as redes, como também era o mais lúcido à frente.
Savarino marcou um golaço em Santos x Fluminense
LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.
Apesar de terminar o primeiro tempo melhor do que o Santos, o Fluminense voltou a vacilar defensivamente. Desta vez, Jemmes tentou cortar passe de Gabigol, mas passou batido e deixou Barreal livre para encobrir o goleiro Fábio. Com a equipe paulista em vantagem novamente, a questão anímica poderia ser um problema para um time que está em crise. Mas o tricolor reagiu rapidamente.
Guga se redime
Um dos principais alvos de críticas da torcida durante o protesto recente no CT, Guga conseguiu se redimir dentro de campo. Afinal, foram duas assistências na conta do lateral-direito. A primeira foi em um cruzamento na linha de fundo para Castillo deixar tudo igual com uma de suas principais armas: a bola áerea. Depois, o defensor acertou outro passe na cabeça de John Kennedy, que entrou no lugar de Alisson no início do segundo tempo, mas foi aos 40 minutos que finalizou pela primeira vez para virar o confronto.
— Depois dos últimos 15 dias, tomando muita porrada para um grupo que não merece isso. Este grupo é muito humilde, trabalha demais e, no último jogo, fui mal interpretado. Acabei falando de um jeito que deixou no ar, mas este time jamais vai entrar de corpo mole. Longe disso. Quis dizer que faz parte do futebol ganhar ou perder, mas que a gente sempre entra para dar o nosso melhor. Tem jogos que as coisas não acontecem por detalhes. A vitória de hoje para todo o grupo — desabafou Guga.
Antes de o tricolor levantar a poeira no fim, Otávio ficou perto de se tornar vilão, mas foi salvo por Neymar, que errou na tomada de decisão em um primeiro momento e, na sequência da jogada, chutou fraco para a defesa de Fábio. Enquanto tenta convencer Carlo Ancelotti de que merece representar o Brasil na Copa do Mundo, o craque teve outra atuação abaixo do esperado e ouviu algumas vaias da própria torcida.
Não é a primeira vez que o volante quase compromete o resultado, mas, sem Martinelli (suspenso) e Nonato (lesionado), Zubeldía o viu como opção nos minutos finais. Por outro lado, o treinador, enfim, deu chance para que o jovem atacante Riquelme — 19 anos — mostrasse que realmente merece mais minutos.
Se Otávio quase comprometeu, Zubeldía, enfim, deu chance para que o jovem atacante Riquelme, de 19 anos, mostrasse que realmente merece mais minutos. A conferir no jogo de ida contra o Operário, na quinta-feira, às 21h30, em Ponta Grossa (PR), pela quinta fase da Copa do Brasil.
