Análise: Queda na pré-Libertadores é balde de água fria no Botafogo, que terá que recalcular rota na temporada

 

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Havia, internamente no Botafogo, o entendimento de que a partida contra o Barcelona de Guayaquil-EQU era um divisor de águas para o que seria a temporada de 2026. E, infelizmente para o clube, o jogo trouxe o pior cenário possível. Com a derrota por 1 a 0 ontem, no Nilton Santos, o alvinegro foi eliminado na terceira fase da pré-Libertadores e agora disputará a Copa Sul-Americana. Além de representar um fracasso em relação ao planejamento traçado pela diretoria para o ano, o resultado fez com que a equipe deixasse o gramado sob vaias e gritos de “time sem vergonha”.

Tudo isso é consequência de uma noite em que nada deu certo para o time de Martín Anselmi. Com dificuldade de encontrar no elenco jogadores que tenham aptidão para balançar as redes — contratado no ano passado para substituir Igor Jesus, o centroavante Arthur Cabral terminou o torneio como reserva do improvisado Matheus Martins —, o treinador viu seus comandados começarem melhor e pressionarem o Barcelona, mas com a já corriqueira dificuldade para marcar. Para piorar, o Botafogo levou o gol na primeira e única jogada de perigo do time equatoriano, o que exemplifica bem a fragilidade defensiva da equipe, que começa já no goleiro.

Crise no gol

Instável desde o início da temporada, o colombiano Jordan Barrera errou um passe no meio-campo e, além de desperdiçar um contra-ataque do Botafogo, criou outro para os equatorianos. No fim, Céliz finalizou rasteiro, e Léo Linck aceitou. Num momento em que Anselmi sofre para encontrar um goleiro de confiança, Linck cometeu sua segunda falha no confronto e se tornou um dos principais algozes da precoce eliminação alvinegra, o que resultou em vaias e xingamentos de parte dos 32 mil torcedores presentes no Nilton Santos.

Mas, mesmo com os erros em sequência, a tendência é que Linck, de 25 anos, siga como titular da meta alvinegra até, pelo menos, o meio do ano. Até existe a possibilidade da contratação de um goleiro que esteja no mercado nacional, cuja janela só fecha no dia 27, mas a cúpula de futebol da SAF entende que não há nomes possíveis e confiáveis para chegar e assumir a titularidade. Caso o clube busque um reforço para a posição, a tendência é que seja mais uma aposta.

Ainda assim, é bem verdade que nenhum jogador de linha do Botafogo correspondeu às expectativas. Titulares como Danilo e Montoro, que nutrem esperanças de torcedores, não conseguiram fazer a diferença. A impressão passada foi que, mesmo com líderes como Barboza e Alex Telles, diversos jogadores do jovem time alvinegro sentiram a pressão colocada sobre seus ombros. Os próprios Montoro e Barrera, de 18 e 19 anos, respectivamente, são bons exemplos.

Nenhum dia de paz

A queda precoce promete trazer consequências que podem ultrapassar a seara esportiva. Depois de um início de ano conturbado por conta da continuidade do imbróglio na Eagle Football Holdings e do transfer ban que atrasou em mais de um mês os planos do departamento de futebol, John Textor e seus pares contavam com a classificação para a fase de grupos para apaziguar de vez o ambiente interno e externo do Botafogo. A realidade, porém, trouxe o cenário oposto. A eliminação na Libertadores expõe o empresário americano em meio à pressão de seus sócios e credores na holding e no clube social, ao mesmo tempo em que prejudica ainda mais a já cambaleante situação financeira do clube.

Com a entrada na fase de grupos da Sul-Americana, o Botafogo ganhará pelo menos US$ 900 mil (aproximadamente R$ 4,6 milhões) — os valores do ano passado devem aumentar para 2026 —, além de outros US$ 115 mil (cerca de R$ 600 mil) por vitória. Se avançasse na Libertadores, a premiação seria de US$ 3 milhões (R$ 15,4 milhões), com a possibilidade de faturar mais US$ 330 mil (R$ 1,7 milhão) por triunfo. Só em relação aos valores fixos, a diferença é de R$ 10,8 milhões.

Clássico no domingo

Mesmo com o panorama de terra arrasada, o Botafogo terá que se reerguer rápido. No próximo sábado a equipe já terá pela frente um clássico contra o Flamengo, também no Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro. Com apenas uma vitória em três partidas na competição, o alvinegro tentará encerrar um jejum de cinco jogos sem vencer o rival, com quatro derrotas e um empate no período.