Não dava para esperar que Luiz Inácio Lula da Silva se comportasse na entrevista à TV Globo como Renan Santos (Missão), que emenda uma história noutra sem responder o que se pergunta fazendo parecer que o fez.
Tinha as realizações de seu governo para mudar a pauta, mas, a esta altura, a retórica do presidente não poderia dar uma cambalhota.
Lula tomou dois riscos: dizer que não conhecia Roberta Luchsinger, amiga do filho há muitos anos, e comparar a cobertura sobre o envolvimento de Fábio Luís da Silva e de Marco Aurélio Ribeiro, seu ex-chefe de gabinete, com a lobista àquela sobre si durante a Operação Lava-Jato.
Se sabe o que fez ou deixou de fazer, não pode dizer o mesmo sobre ambos.
Foi melhor na economia, ao repudiar descompromisso com a pauta fiscal, do que na pauta da corrupção, ainda que tenha sido desnecessário ensinar à Renata Vasconcellos como formular a pergunta sobre a questão fiscal.
Foi melhor na educação, ao se comprometer com uma revolução tecnológica, do que na segurança.
Relembrou a atribuição dos Estados no tema, mas acabou sendo confrontado com o mau desempenho da Bahia, governado pelo seu partido há 20 anos.
Perdeu oportunidade de usar o minuto final para propagandear a promessa de futuro contida na PEC do fim da escala 6x1, cujo compromisso de votação foi sua principal vitória da semana.
Em 2022, a defesa da democracia deu a música de fundo de sua volta ao poder.
A tentativa de reeleição tem acordes dissonantes e Lula, nesta sabatina da TV Globo, ainda não mostrou a cadência.
