O agravamento da situação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre Moraes no escândalo do Banco Master é mais uma notícia ruim para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pela reeleição e, por tabela, uma boa notícia para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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No imaginário da opinião pública está sedimentada a impressão de que Moraes é um aliado de Lula.
Essa impressão, que alçou voo depois da atuação de Moraes como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o então presidente Jair Bolsonaro não quebrasse a institucionalidade, foi reforçada por episódios recentes.
Para ficar em apenas um, cite-se o papel de articulador de Moraes na retomada de diálogo entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Não por acaso o senador Flávio Bolsonaro ocupou a tribuna do Senado na terça-feira (1) para pedir a instauração de um processo de impeachment contra Moraes.
Gesto puramente retórico, mas emblemático da influência que André Mendonça, relator das investigações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ex-ministro de Jair Bolsonaro, passou a ter no processo eleitoral.
Há menos de quatro meses, havia especulações em Brasília sobre retirada da candidatura de Flávio em função da divulgação do áudio em que o senador pediu dinheiro ao antigo dono do Banco Master para a conclusão do filme “Dark Horse”.
O andamento das investigações faz Flávio se sentir confortável para partir para a ofensiva.
O relatório tornado público na terça abre caminho para que Moraes seja formalmente investigado pelos seus pares.
Está evidenciada uma relação de proximidade entre o ministro e Vorcaro, que não se limitava apenas ao contrato milionário de prestação de serviços entre o Master e a esposa de Moraes, Viviane Barci.
Pela gravidade do precedente a ser aberto, é duvidoso que esta investigação aconteça, mas as consequência políticas já estão dadas.
Vorcaro repassou a 'Dark Horse' mais que o admitido por Flávio Bolsonaro, indica Coaf
Mendonça provavelmente se fortalecerá como condutor das investigações que ditam a vida política do país, todas em suas mãos: a do caso Master, a do financiamento do filme “Dark Horse”, que envolve Flávio Bolsonaro, e a do escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que respinga no filho do presidente, Fábio Luís da Silva, o Lulinha.
É possível que ele se sinta mais empoderado para pressionar a Polícia Federal (PF) a atender suas exigências.
O processo que levou à condenação por golpismo Bolsonaro, conduzido por Moraes, se fragiliza.
Não pela existência de conexão entre o julgamento e as tratativas entre Moraes e Vorcaro, agora trazidas à luz; mas pela coincidência temporal.
Ambos cursaram entre 2024 e 2025.
Moraes estará mais vulnerável para se defender no instante em que o pedido de revisão criminal da condenação entrar em pauta.
Difícil pensar que uma questão não contaminará a outra.
Na dinâmica da campanha, será árduo usar o processo por golpismo para atingir Flávio.
A médio prazo, é sombrio o panorama para o STF.
Pela regra do rodízio entre ministros, o próximo presidente da Corte é Alexandre de Moraes, no próximo ano.
O pedido de seu impeachment, contudo, virou peça de propaganda na campanha para o Senado.
