A previsão é de que 7 de setembro seja um dos dias mais frios da capital paulista no ano, com a temperatura máxima de 14 graus, além de chuva. A Companhia de Engenharia de Tráfego estima que 2,5 milhões de veículos tenham saído de São Paulo no feriado. Nas convocações, em redes sociais, porém, os bolsonaristas exibem um entusiasmo radiante como o sol. E o principal motivo disso é que esperam ter vitaminado o ato com o embate ora em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) e com os 300 ônibus que o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes colocaram à disposição dos municípios governados por aliados no interior. A facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro completou oito anos neste sábado, mas o tema, bem como a anistia, saiu dos apelos convocatórios. O principal chamariz é o apoio ao ministro André Mendonça, que enfrenta um embate fratricida contra o ministro Alexandre de Moraes no STF. A despeito do chamariz e da proximidade das eleições, as redes sociais indicam uma mobilização digital menor do que a de 2025, quando nenhum desses elementos estava presente. No monitoramento das redes do Democracia em Xeque, atualizado às 12h50 de sexta-feira (4), foram registrados, no acumulado da semana, 189,9 mil menções e 2 milhões de interações, uma queda de 59% no número de menções e 67% de interações em relação ao 7 de setembro de 2025. O dia da Pátria, no ano passado, caiu na semana em que o STF concluiu o julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente. O apoio a André Mendonça e o rechaço à condenação e Bolsonaro, porém, têm vieses distintos. A anistia era rejeitada, à época e hoje, pela maioria, enquanto o ministro tem um apoio que extrapola as redes bolsonaristas, mas não está disposto a atender a uma convocação do senador Flávio Bolsonaro para sair às ruas. Vide dois manifestos de advogados que hoje circulam em entidades de classe. O abaixo-assinado “eu apoio André Mendonça” foi tracionado por movimentos de advogados de direita, mas os extrapolou. Num grupo de Whatsapp de uma das associações mais respeitadas da advocacia paulista, o Instituto de Advogados de São Paulo, um filiado, antibolsonarista militante, anunciou que assinaria dizendo que não era possível equiparar querelas processuais, de resto presentes também nos inquéritos do golpe e das “fake news”, com indícios escancarados de corrupção que movem o contendor de Mendonça. O Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA) divulgou esta semana uma carta aberta ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin. Sem citar Mendonça ou Moraes, o texto argumenta que as questões jurídicas relacionadas ao processo são relevantes mas não podem deslocar o foco da “necessidade primordial da apuração dos fatos revelados”. O texto é assinado por Gustavo Brigagão, advogado signatário da nota de repúdio a um ataque de Jair Bolsonaro à integridade das urnas em 2021. A expectativa, no entorno de Mendonça, é de que ele permaneça em sua casa. No domingo (6), Mendonça liberou, para análise do plenário da Corte, o relatório da Polícia Federal sobre os diálogos entre Moraes e o banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, que tornou públicos na última terça, 1º. A Corte, porém, não deve tratar do tema na sessão da quarta, uma vez que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu esclarecimentos a Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e lhes deu prazo de cinco dias a se esgotar na próxima sexta. A ver ainda se a sessão se manterá silente sobre o tema como o foi aquela de quarta da semana passada. Os atos de 7 de setembro têm sido acompanhados com apreensão pelo Palácio do Planalto, seja pela tração que podem vir a dar às candidaturas bolsonaristas ao Senado e ao próprio senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. A liderança das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) nas pesquisas em São Paulo não é dada como fato consumado até 4 de outubro. Seja porque em disputas com duas vagas a acurácia das pesquisas é limitada, seja porque Tarcísio tem reforçado a dobradinha com os deputados André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) nos últimos dias. André Mendonça foi o centro de orações como aquela convocada pelo bispo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, que lidera a Marcha para Jesus. Em vídeo divulgado na sexta feira, o ministro agradeceu as orações. Silas Malafaia, porém, permanece como o principal convocador evangélico desta segunda-feira. A campanha registra a redução do engajamento de pastores, o que pode dificultar a mobilização. Em número e proporção de candidatos, há menos pastores registrados do que em 2022. O número absoluto (385) é o menor desde 2014, mas as eleições de outubro registraram uma queda generalizada no número de candidatos, em todas as ocupações. Ao longo do domingo, a principal convocatória para o 7 de setembro nas redes sociais veio de um bispo católico, Dom Adair José de Moraes. Bolsonarista declarado, o bispo de Formosa (GO) viralizou no Carnaval ao criticar o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Notícias
Análise: Mobilização nas redes é menor do que no 7 de setembro de 2025
Fonte da notícia:
Valor
Valor
Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?
Acessar matéria no site Valor