Análise: Lula usa reunião ministerial para estrear pré-campanha com anúncio de Alckmin na vice e críticas a Bolsonaro

 

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a reunião ministerial desta terça-feira para ensaiar o discurso que adotará na campanha e, de quebra, ainda resolveu colocar um ponto final nas especulações sobre a permanência de Geraldo Alckmin como seu companheiro de chapa na eleição de outubro.

Sem uma marca clara de sua gestão que seja reconhecida pela população, Lula planeja ter como foco central na disputa eleitoral a comparação entre o seu governo e o de Jair Bolsonaro, pai do senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário nas urnas.

Com 51% de desaprovação segundo pesquisa da Quaest divulgada no começo de março, a aposta do presidente e do seu entorno é que os eleitores poderão ser convencidos de que hoje o país está melhor do que há quatro anos.

Como um mantra, Lula repetiu esse raciocínio seguidas vezes durante o discurso. Num momento de sinceridade, reconheceu que não conseguiu levar o Brasil a uma “situação esplendorosa que todos nós gostaríamos”, mas em seguida acrescentou que a situação está “muito melhor do que nós encontramos, infinitamente melhor”.

O presidente também deixou claro que os ministros que sairão para disputar eleições pelo país devem propagar esse discurso nos estados.

Lula também quis iniciar o novo período de pré-campanha, a partir da próxima semana, sem especulações sobre composição de sua chapa. O presidente vinha deixando o cenário aberto, segundo aliados, para manter aberto um canal para atrair partidos de centro e centro-direita para a sua aliança.

Sem perspectivas concretas de ter MDB, PSD ou União Brasil na chapa, o presidente evitou, com a confirmação de Alckmin, criar um mal-estar com o partido que deve ser o principal parceiro do PT na eleição, o PSB. Indicou assim, de forma indireta, que formará uma aliança apenas com as legendas do campo da esquerda, assim como aconteceu em 2022.

Com dois adversários, Flávio e Ronaldo Caiado (PSD), já tendo prometido anistiar os condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, o petista deve usar a manutenção da união como ex-tucano para tentar ressuscitar o discurso usado quatro anos atrás de que lidera uma frente em favor da democracia.