O Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa básica de juros do Brasil em 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic de 14% para 13,75% ao ano, a poucas semanas das eleições. Esse é o quinto corte consecutivo da taxa. A decisão do Copom, publicada nesta quarta-feira, foi unânime.
Em comunicado, o Comitê disse que a definição foi compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo das expectativas futuras da política monetária dos próximos anos. O texto ainda aponta que o Banco Central continua observando de perto a situação fiscal do país que, na visão do Copom, reforça a postura de cautela frente a um cenário de maior incerteza.
O resultado era esperado pelo mercado financeiro brasileiro. O economista da FGV Ibre, André Braz, afirmou que a Selic permanece alta, principalmente quando se calcula o juro real.
"É a confiança que a autoridade monetária tá depositando na inflação num período que ainda temos muita incerteza. Mas como o juro tá muito alto, não há dúvida de que isso não vai representar nenhum retrocesso pra política monetária. Apesar do ambiente econômico, tanto aqui no Brasil quanto no mundo, terem seus riscos. Mesmo com as eleições aí batendo na porta, isso não vai atrapalhar absolutamente nada porque também já era um corte esperado pelos agentes econômicos", afirmou.
Quando a taxa cai, a tendência é que o crédito fique mais barato e estimule novos negócios, contratações e os gastos das pessoas. Mas isso, segundo o economista da FGV, não deve ser a curto prazo.
O mercado financeiro reduziu a estimativa de inflação de 5% para 4,9% para 2026. A informação faz parte do Boletim Focus, desta semana, com base em pesquisa realizada com mais de 100 instituições financeiras. Hoje, a inflação acumulada em 12 meses no Brasil é de 4,22%.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, banco central americano, elevou a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Essa é a primeira alta desde julho de 2023. O movimento adotado por unanimidade pelos diretores do Fed interrompe uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados.
O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Hugo Garbe, afirmou que a decisão do Fed também pode impactar o Brasil.
"A gente vê essa elevação lá e o corte aqui e isso pode causar um outro efeito. Os Estados Unidos é o país mais seguro para se investir. Então, com a elevação dos juros americanos existe a possibilidade de fuga de capital aqui no Brasil", explicou.
A decisão foi criticada pelo presidente Donald Trump. Nas redes sociais, o republicano defendeu que a taxa seja reduzida para pelo menos um por cento ao ano. Trump afirmou que os Estados Unidos estão "em plena expansão" e ganhariam ao menos 1 trilhão de dólares por ano se deixassem de negociar com os países com os quais há um déficit comercial.
CBN